Vila Flor poderá vir a ser marca-chapéu
A iniciativa partiu da Associação de Agricultores do Nordeste Transmontano (AANT), em parceria com a empresa de consultadoria, Exertus, que elaborou o projecto. A proposta passa por fomentar a comercialização dos produtos de qualidade que já existem na região, mas que não conseguem chegar aos mercados nacionais e internacionais. “Os principais obstáculos são conseguir vender os produtos e produzir em grandes quantidades”, informou o presidente da direcção da AANT, Vítor Teixeira. Para tal, os agricultores têm que reunir esforços, sem deixar de parte os seus próprios produtos e marcas. “Cada um continua com a sua identidade, mas passa a integrar uma marca-chapéu que será divulgada e apresentada ao consumidor, para que passe a acreditar na marca e a associe a qualidade”, sublinhou o responsável.
Segundo Vítor Teixeira, dois produtos de qualidade do concelho de Vila Flor, o vinho do Douro e o azeite, já são conhecidos e comercializados. Contudo, “como estão em pequena escala, têm mais dificuldades de colocação no mercado”, lamentou.
Agricultura deve ser vista como negócio e não como meio de subsistência
Já para Sérgio Ribeiro, da Exertus, o projecto pretende fazer “esquecer o que fazemos e olhar para o que vendemos, já que, hoje em dia, não vendemos o que produzimos, mas devemos produzir o que vendemos”.
Segundo o responsável, já existem estruturas montadas na agricultura, mas não são voltadas para o sector comercial. Assim sendo, a ideia apresentada passa por “unir os agricultores à volta de um objectivo financeiro, em que as pessoas participem em função do que são capazes de fazer e tirem proveito disso”, explicou Sérgio Ribeiro.
Só assim será possível, na óptica do responsável, vender o que se produz e não produzir em função do que é possível comercializar “à porta de casa”. “Queremos aumentar a dimensão, pois sem escala não há poder de negociação. Deste modo, queremos aproveitar uma região que está em destaque em todo o País e fazer com que a agricultura seja um negócio e não um meio de subsistência”, acrescentou. Caso o projecto apresentado tenha o consentimento e aprovação dos associados da AANT, será criado um grupo de produtores a partir de Vila Flor que irá decidir o modelo de negócio.
Recorde-se que aquela estrutura integra mais de 800 associados de todo o Nordeste Transmontano.
Para Athayde Páris, produtor de azeite virgem extra, a iniciativa apresentada poderá “ser uma grande ajuda. “Os transmontanos são muito individualistas e temos é que nos juntar, lutar pelo produto de cada um, mas reunir esforços”, sublinhou. Responsável pela “Directo da Terra”, Athayde Páris criou esta marca depois de se aperceber que as azeitonas que vendia eram engarrafadas sob uma denominação italiana e adquiridas pelas embaixadas de Itália de todo o Mundo. “Isso deu-me força para comercializar a minha própria marca, que internamente tem tido sucesso. Contudo, o maior obstáculo é conseguir exportar a produção, pois querem preços baixos e a minha aposta é na qualidade”, lamenta.
Já Vítor Teixeira, que além de presidente da AATN também é produtor – engarrafador, criou a sua própria marca de vinhos em 2004 e tem vindo a aumentar a produção. “Tenho produtos no mercado e vendo para dois países estrangeiros, mas este sucesso só se deve ao investimento em acções de marketing”, reforça.