Larinho desencravado pela barragem
“A implementação da barragem vai ser na área do Larinho. Em termos de albufeira, a freguesia mais abrangida vai ser o Felgar, onde vai ser inundado o vale de olival e amendoal”, explica o presidente da Junta de Freguesia do Larinho, Óscar Seixas.
Apesar de se perder cerca de 20 por cento da produção de azeite e amêndoa, o autarca realça que a maior parte dos terrenos afectados pela construção da barragem já não eram cultivados. “Para os acessos houve algumas parcelas com amendoeiras e oliveiras que foram abrangidas, mas junto ao rio a maioria já era monte”, realça Óscar Seixas.
Na óptica dos proprietários, o valor pago pela EDP “é justo”, ao passo que as mais-valias que a barragem poderá trazer para a região superam as perdas na agricultura.
“Quando estiver pronta, a albufeira vai ficar com locais aprazíveis para turismo. Esse potencial já não vai ser explorado na minha geração, mas vai ficar para os vindouros”, salienta o autarca.
Para já, a freguesia também sente a dinâmica do avanço dos trabalhos, até porque há trabalhadores no empreendimento que alugaram casa no Larinho. “Temos 6 ou 7 habitações alugadas e não há mais porque estamos numa aldeia rural e há muitas casas que não têm as comodidades que as pessoas procuram”, acrescenta o responsável.
EDP adquire mais 20 hectares de terrenos para a implementação da barragem
Depois de anos e anos à espera da barragem, a população assiste às manobras das máquinas e ao rasgo dos acessos que vão dar ao rio Sabor, onde, antigamente, se passavam momentos de lazer agradáveis e, até, se apanhavam peixes à mão. “Para termos a barragem temos que abdicar destas coisas. Mas o importante é que todos querem a barragem”, garante Óscar Seixas.
Na segunda fase das expropriações, 4 dos cerca de 20 hectares (ha) de terreno adquiridos pela EDP ficam na freguesia do Larinho. Os restantes 16 ha estão repartidos por Torre de Moncorvo (cerca de 12 ha), Cardanha (cerca de 3 ha) e Adeganha (1 ha).
Ao que o Jornal NORDESTE conseguiu apurar junto dos proprietários, o valor das parcelas varia consoante o seu estado. Neste sentido, a EDP paga 0,75 euros por metro quadrado pelos terrenos incultos e 1,75 euros pelas parcelas cultivadas. A este valor acrescem os prémios por infra-estruturas.
Este processo também abrangeu uma área pertencente à Junta de Freguesia. “Para a construção da estrada foi necessário abranger uma área de pinhal e sobreiro. Eram árvores novas, mas o importante é a melhoria das acessibilidades”, frisou o autarca.
Na óptica de Óscar Seixas, a melhoria das ligações viárias é a principal vantagem da barragem. “Antes a aldeia não tinha saída. Agora vamos ficar com uma ligação ao IP2 e IC5 e com outra para o Felgar”, enaltece o responsável.
Depois da partida do comboio, que deu lugar à ecopista, a barragem promete devolver o desenvolvimento a esta terra, que já beneficia com a implementação da Zona Industrial de Torre de Moncorvo na freguesia.
Quem passar pelo Larinho pode, ainda, visitar as seis capelas espalhadas pela aldeia e a igreja matriz, datada de 1797.