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Pelos carris de Barca d´Alva

Pelos carris de Barca d´Alva
  • 10 de Março de 2009, 10:42

Tempos houve em que parte deste percurso podia ser feito de comboio, mas hoje resta apreciar a notável obra de engenharia que, numa sucessão de 20 túneis e 13 pontes, levou o comboio de Barca d´Alva até La Fregeneda (a 17 Kms) e dali para Fuente de San Esteban, estação onde se tomava a ligação para chegar a Salamanca.
Tudo isto faz parte do passado desde 1985, altura em que Espanha suprimiu a circulação em terras salamantinas, “forçando” Portugal a fazer o mesmo, três anos mais tarde. Caiu a ligação entre o Pocinho e Barca d´Alva e começaram 20 penosos anos de abandono, degradação e muitas expectativas em torno da reabertura da circulação nos cerca de 60 quilómetros de linha (29 em lado português e 27 em território espanhol).
Ainda hoje, autarcas de ambos os lados da fronteira sonham com o apito do comboio, mas o que sobra na vontade falta na política. “Interesse há, mas é tudo uma questão de vontade política”, recorda o alcalde de Hinojosa de Duero, José Francisco Bautista, que vê na reactivação do caminho-de-ferro uma forma de criar os postos de trabalho que faltam nesta zona da província de Salamanca.
Cansados de esperar, vários municípios espanhóis optaram por criar uma “via verde”, de modo a preservar o canal ferroviário, que atrai entusiastas do caminho-de-ferro em passeios pedestres ou em vagonetas amigas do ambiente.

“Os carris, as pontes e os túneis estão em bom estado de conservação”

Do lado português o processo está a ser conduzido pela Comissão de Revitalização da Linha do Douro, enquanto a Associação “Camino de Hierro” vai desbravando terreno em Espanha, esbarrando, por vezes, nas estruturas autonómicas. “Se a Junta de Castilla e Léon não se interessar por este projecto, é muito difícil arrancar. Até ao momento ainda não demonstrou qualquer interesse”, lamenta o autarca de Hinojosa de Duero.
Como a esperança é a última a morrer, o autarca convidou um técnico duma empresa catalã para avaliar o estado de conservação da linha e os resultados foram surpreendentes, apesar da construção te sido concluída em 1887. “Os carris, as pontes e os túneis estão em bom estado de conservação, mas há que melhorar as travessas”, explica o responsável.
Os contactos com os municípios de Freixo de Espada à Cinta , Foz Côa e Figueira de Castelo Rodrigo, por seu lado, vão alimentando as expectativas, pois “qualquer país que reabra a linha no seu lado, quase que vai obrigar o outro a fazer o mesmo”, considera , José Francisco Bautista.
Até que o sonho se torne realidade, estações como a de Barca d´Alva acusam os sinais dos tempos, emprestando um cenário degradante, que contrasta com os prósperos cruzeiros fluviais no Douro. Pena é que os Comboios Históricos e os pacotes barco+hotel+comboio se fiquem pelo Pinhão ou Pocinho, pois os últimos 29 quilómetros da Linha do Douro eram, precisamente, os mais imponentes.

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