Douro quer manter-se isolado do Norte
Já António Martinho afasta a hipótese da região do Douro ser integrada no Turismo do Norte e justifica a sua posição com os apoios específicos concedidos a esta região pelo Turismo de Portugal e no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). “O Governo definiu para o Douro uma área e deu-lhe uma carta de alforria, pelo que os durienses não seriam inteligentes se desprezassem esse reconhecimento e os instrumentos de autonomia e afirmação”, sustenta o responsável.
Melchior Moreira tem uma visão diferente e lembra que os pólos estão condicionados no tempo, visto que a legislação só os contempla até 2015. Por isso, o responsável acredita que, no futuro, a afirmação turística nacional tem que ser feita em escala e o primeiro passo passa pela integração dos pólos nas entidades regionais de turismo.
Por seu lado, António Martinho defende uma articulação funcional e uma autonomia orgânica para o Turismo do Douro, mas realça que existe diálogo, tanto com a entidade Porto e Norte de Portugal, como com a Serra da Estrela.
O responsável pelo Turismo do Norte confirma que existe um trabalho de parceria entre as duas regiões e diz mesmo que o organismo que representa até tem responsabilidades na promoção do Douro, com a adesão de 14 dos 19 municípios que integram o pólo duriense. Armamar, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Penedono, Peso da Régua, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa são os municípios que fazem parte do Pólo do Douro e que se associaram à entidade Porto e Norte de Portugal. Já Alijó, Murça, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião e Vila Real preferem manter a exclusividade na entidade que gere o turismo do Douro.
14 dos 19 municípios que integram o Pólo de Turismo do Douro já aderiam à entidade turística do Norte de Portugal
A posição destes cinco municípios vai ao encontro da orientação de António Martinho, que diz que é fundamental apostar nas potencialidades das regiões e lembra que o Douro é conhecido no mundo, ao contrário do Norte de Portugal.
Na óptica de Melchior Moreira não está em causa a marca Douro, que considera “um diamante por lapidar”, mas a promoção em larga escala de uma região. “Basta ver a dotação financeira de 450 mil euros que foi concedida ao Douro. Esta verba dá, apenas, para recursos humanos e para a promoção?”, questiona o responsável.