Olival tradicional perde apoios
A denúncia é feita pela Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD), que pede a inclusão do olival tradicional nas Medidas Agro-Ambientais.
Aliás, a associação diz mesmo, em comunicado, que já tinha alertado para esta situação durante o período de consulta e discussão do PRODER e do Plano Estratégico Regional para a Fileira Olivícola, promovido pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, mas garante que nunca obteve resposta às solicitações e sugestões.
No documento, a AOTAD realça que no PRODER estão previstos, unicamente, apoios para os olivais tradicionais inseridos nas Zonas de Intervenção Territoriais Integradas, como é o caso do Douro Vinhateiro, Montesinho- Nogueira ou Douro Internacional.
“Podemos afirmar que a maioria das explorações olivícolas ficaram sem o apoio ao seu papel multifuncional, de preservação da paisagem e do meio ambiente”, salienta a AOTAD.
Pequenas produções de olival podem desaparecer devido ao corte de apoios aos agricultores
Importa, ainda, realçar que a cultura das oliveiras em modo tradicional representa grandes custos de produção, tendo em conta a limitação de mecanização. Acresce que o facto de se encontrarem em regime de sequeiro condiciona o olival a uma produtividade baixa, que não é compensado pelos baixos preços de comercialização.
Perante este cenário, a associação teme que os produtores partam para o abandono destas culturas, devido aos lucros reduzidos, o que poderá trazer graves consequências a nível social e ambiental na região de Trás-os-Montes.
Por outro lado, as Denominações de Origem Protegida assentam, sobretudo, neste tipo de olival, visto que preservam o cultivo regional, o que, aliado às características climatéricas, se traduz na identidade única e singular dos azeites produzidos sob esta denominação. No entanto, esta marca não pode ser o único sustento do olival tradicional, até porque é pouco reconhecida pelo consumidor e ainda tem pouca representatividade a nível nacional.
Esta situação leva a AOTAD a pedir a protecção deste tipo de cultivo das oliveiras, quer pela sua importância em tempos de área, mas também porque é uma “pedra basilar” de muitas explorações agrícolas da região.