Hospital de Bragança no limite
A responsável garante que a criação dos hospitais SA e, posteriormente, dos hospitais-empresa, só veio piorar as condições de trabalho dos enfermeiros, em especial dos que estão em regime de contrato. “No hospital de Bragança temos enfermeiros contratados a a trabalharem 40 horas por semana e a ganharem 25 por cento dos suplementos, seja em sábados ou domingos”, denuncia Liliana Gomes.
A situação tem vindo a agravar-se desde Março de 2007 e, segundo o SEP, a tendência é para piorar. “Em Medicina Mulheres, por exemplo, temos uma equipa de 16 enfermeiros e mais de metade são contratados. Trabalhamos 4-5 horas a mais e, se fossem cumpridas as 35 horas, conseguia-se trabalho para mais 4-5 enfermeiros”, salienta Liliana Gomes.
A diferenciação das carreiras é outra das questões contestadas pelo SEP. “Queremos a aplicação duma grelha salarial justa, para que ganhem todos como licenciados, pois desde 2000 que muitos enfermeiros que estão a ganhar como bacharéis, apesar de terem a licenciatura”, alega a dirigente sindical.
Recados ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Nordeste
Estas foram algumas das reivindicações que se fizeram ouvir na manifestação que os enfermeiros organizaram em Bragança, na passada sexta-feira. A concentração, que levou profissionais de vários pontos do distrito à Praça Cavaleiro Ferreira, foi uma das acções que marcou a greve realizada a 2 e 3 de Abril. No caso do hospital bragançano, a paralisação chegou a atingir os 95 por cento nos turnos da noite, ao passo que de dia oscilou entre os 60 e 80 por cento.
Os recados ao conselho de administração do Centro Hospitalar do Nordeste não se fizeram esperar. “Acredito que não ganham 970 euros/mês como muitos enfermeiros do hospital de Bragança, nem trabalham 40 horas por semana”, desabafou Liliana Gomes.
Segundo a responsável, a adesão à concentração em Bragança até podia ser maior, “mas estamos a trabalhar com o pessoal mínimo e, para assegurar serviços mínimos, muitos colegas têm que ficar no hospital”.