Literatura aproxima Bragança de Léon
Na óptica do presidente da CMB, Jorge Nunes, este acordo representa um reforço da cooperação cultural entre as duas cidades, através do intercâmbio de escritores e publicações. “A Feira de Léon tem uma grande dimensão e projecção, pelo que esta é uma forma de fomentar a aproximação de escritores e a troca de publicações”, reforça o edil.
Este ano, a ligação entre as duas cidades foi assinalada com um debate entre escritores bragançanos e leoneses. Para o próximo ano, está prevista a realização de actividades conjuntas em ambas as feiras. “A literatura portuguesa é muito apreciada em Léon”, constata o director da Feira do Livro de Léon, Hector Escobara.
Na próxima feira espanhola, que decorre na primeira semana de Maio, já vai ser possível encontrar obras portuguesas, quer de âmbito nacional, quer regional. A ligação entre os dois povos voltou a ser evocada, no passado sábado, durante a apresentação do livro “História de uma Língua”, da autoria de Amadeu Ferreira e do ilustrador José Ruy.
Esta obra de banda desenhada, com uma versão em mirandês e outra em português, foi lançada como sendo o bilhete de identidade da língua mirandesa, cujos primórdios remontam à corte leonesa. “Era uma língua de reis”, vinca Amadeu Ferreira. O autor faz, ainda, um tributo ao povo que a preservou ao longo de mais de mil anos. “Os camponeses analfabetos, mas não incultos, não falavam português mal falado, mas sim uma língua. Por isso, é que ela se aguentou e hoje estamos a comemorar o 10º aniversário da aprovação da lei que reconheceu a língua mirandesa como língua oficial de Portugal”, acrescentou o defensor desta língua minoritária. Depois de um trabalho de investigação que demorou cerca de dois anos, Amadeu Ferreira e José Ruy dão a conhecer ao País a história da segunda língua oficial de Portugal, contada através das histórias do povo mirandês.