Romariz recria ciclo da telha
Esta etapa começa na próxima quarta-feira, com a inauguração do Centro Cultural de Romariz, onde vai funcionar um núcleo museológico, para mostrar aos visitantes os objectos utilizados na confecção da telha, desde as grelhas (moldes), ao galapo (objecto para curvar a telha), ou telhas antigas que foram encontradas nalguns telhados. “Temos uma telha com uma inscrição de 1936, ou seja tem 73 anos”, realça o presidente da ASSAR, Abel Pereira.
Estas obras foram efectuadas ao abrigo de uma candidatura ao programa AGRO, através da CoraNE, que concedeu apoio financeiro à associação para avançar com a transformação de uma casa tradicional num Centro Cultural e com a reconstrução do antigo forno comunitário.
“O ciclo vai começar no dia 10, com a inauguração do núcleo museológico, depois vamos continuar com os preparativos para a reconstrução do circuito da telha, que vai decorrer no dia 13, e no dia seguinte a telha sai do forno”, explica Abel Pereira.
Romariz pretende inserir o ciclo da telha no núcleo museológico do concelho de Vinhais para atrair turistas
O responsável realça que esta iniciava envolve cinco associações do concelho de Vinhais, que vão fazer um determinado número de telhas para incluírem no seu espólio.
Os trabalhos começam pela manhã, para cavar o barro no barreiro da fraga do mouro, depois os trabalhadores seguem para a zona do Poulo, onde se encontra o forno. Aí vão amassar, cortar, moldar e dar forma às telhas, que ficam a secar para ganharem consistência antes de serem metidas ao forno. Ao final da tarde, o forno vai ser aceso e a telha enfornada.
Abel Pereira lembra que, antigamente, a confecção de telha era muito importante em termos económicos para Romariz. “Era uma forma de compensar um mau ano agrícola”, acrescenta.
As fornadas eram feitas em Setembro, depois das malhadas, aproveitando o último calor do Verão. “Por ano eram feitas entre 3 a 4 fornadas. Depois as pessoas iam vende-la à feira de Vinhais”, conta.
Esta actividade terminou há 50 anos, por altura da abertura da cerâmica de Bragança.
Agora, a confecção da telha faz parte da história de Romariz, que pretende integrá-la no núcleo museológico do concelho de Vinhais para atrair visitantes à aldeia.