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A telha de antigamente

A telha de antigamente
  • 16 de Junho de 2009, 10:19

Meio século depois, o forno comunitário de Romariz, no concelho de Vinhais, voltou a ser aceso para receber uma fornada de telhas executadas por algumas dezenas de pessoas que se juntaram à Associação Cultural e Desportiva Santo Antão Romariz (ASSAR) para recuperarem uma das mais antigas tradições da região.
“Esta foi uma indústria muito importante na freguesia, pelo que decidimos avançar com a recriação do ciclo da telha que integra o núcleo museológico do Centro Cultural de Romariz”, explicou o presidente da ASSAR, Abel Pereira.
Trata-se de um projecto que inclui, além de imagens, objectos antigos, como uma telha que data de 1840. “Temos telhas marcadas com os nomes das pessoas que as faziam, bem como moldes, galapos, grades e formas de ladrilhos”, adiantou o responsável.
No âmbito desta iniciativa, que conta com a parceria de mais quatro associações do concelho de Vinhais, a ASSAR recuperou, através da CoraNE, o antigo forno comunitário de Romariz, que se encontrava em avançado estado de degradação, com o objectivo de o inserir no núcleo museológico de Vinhais.
“Será mais um ponto de referência e atracção para escolas e turistas”, salientou Abel Pereira.

Carro de crias levava 200 telhas de cada vez e era vendido por todo o concelho

Há 50 anos, parte dos meses Agosto e Setembro era dedicado à confecção das telhas que cobriam parte das casas. Os dias começavam cedo com a recolha do barro que era amassado, antes de ser cortado. “Depois de apanhado, as vacas pisavam o barro ao qual se deitava água trazia numas pipas de um lameiro. Ia sendo cortado e amontoado”, recordou Mário Pereira, habitante de Romariz.
Depois de cortado e moldado, ficava dois dias no estendedouro antes de ser levado para o forno, onde eram cozidas mais de duas mil telhas de cada vez.
Depois de pronta, muitas eram as pessoas que as compravam no próprio local onde eram confeccionadas. As restantes eram vendidas um pouco por todo o concelho de Vinhais.
“O forno cozia o equivalente a 12 carros de crias, que faziam o transporte das telhas, sendo que cada um era vendido a 200 escudos”, explicou o residente.

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