Agricultores saíram à rua em Mirandela
Os homens da terra não pouparam assobios e apupos para demonstrarem o seu descontentamento perante as actuais politicas para o sector. Os agricultores acusam o ministro da Agricultura, Jaime Silva, de “ durante os quatro anos que já passou no Governo não defender o sector agrícola” e consideram que agricultura nacional está “moribunda” comparada com os restantes países europeus.
Aos agricultores trasmontanos juntaram-se, ainda, outros vindos de regiões como Alentejo, Ribatejo e Mondego.
No manifesto distribuído aos homens da terra estava explícita a razão do descontentamento, onde “o corte nos apoios às organizações de agricultores com o objectivo de acabar com as estrutura que representam o sector e que se opuseram à política ruinosa do Governo para ao sector” figuravam à cabeça. “A falta de apoios aos agricultores que, em 2005, sofreram com a seca, ou a não implementação do PRODER, passados três anos da abertura do Quadro Comunitário da Apoio”, foram tónicas dominantes nos discursos dos dirigentes agrícolasOutro dos temas falados foi o de acabar com o apoio à chamada electricidade verde “ no País que tem a energia mais cara da Europa”.
Desapontados com as politicas para o sector, os homens da terra ainda tentaram, de forma simbólica, atear fogo a um cartaz com a caricatura de Jaime Silva. Esta situação foi gorada, mas o cartaz acabou por ser destruído com murros e pontapés, junto às instalações da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, em Mirandela.
Homens da lavoura pedem ao Governo apoios para conseguirem superar a crise
No entanto, não faltou quem apontasse o dedo à manifestação, como sendo uma “espécie de comício eleitoral”, já que foram lançados reptos aos agricultores por parte dos dirigentes da CAP para que votem contra José Sócrates e Jaime Silva.
Já o presidente da CAP, João Machado, fez saber, de imediato, que não se trata de apelar contra o voto no PS, mas sim contra as políticas levadas a cabo pelo Governo.
“Não apelamos ao voto em nenhum partido político. Dizemos sim que os agricultores não se devem abster, já que é o voto que permite mudar as coisas e eu espero que os agricultores votem bem”, justificou o dirigente.
Por fim foi realçado que para ultrapassar a crise são necessárias medidas de apoio, nomeadamente a criação de linhas de crédito para os homens da lavoura.