Qualidade e Auditoria em Saúde
A acção, que termina em Dezembro próximo, destina-se a médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, gestores a administradores de unidades de saúde, embora o leque de formandos contemple outras áreas de actividade, tais como Educação Física, Direito e Análises Clínicas.
Através de um corpo docente com vasta experiência, quer a nível académico, quer a nível profissional, a formação vai de encontro à necessidade de melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, através da qualificação de profissionais capazes credibilizar as instituições por via da implementação de processos de Acreditação da Qualidade dos serviços.
O Jornal NORDESTE teve a oportunidade de acompanhar um módulo assegurado pelo docente Luís Martins, Doutorado em Gestão da Qualidade e Investigador sobre a fiabilidade e performance em organizações de saúde.
Luís Martins é consultor em Gestão e docente no ISCTE, em Cursos de Licenciatura e de Mestrado em Gestão; Director executivo do Mestrado em Gestão dos Serviços de Saúde; Lic. e Mestre em Engenharia, Lic. em Sociologia do Desenvolvimento.
É co-autor do livro “O Erro em Medicina”, juntamente com o conhecido cirurgião cardiotoráxico, José Fragata, que também faz parte do corpo docente da Gestão da Qualidade e Auditoria em Saúde que está a decorrer no ISLA-Bragança.
“A acreditação dos hospitais pode ser uma via para melhorar a qualidade”
Questionado sobre a evolução da Saúde em Portugal, nomeadamente sobre os métodos de gestão hospitalar baseados em resultados e na quantidade de actos médicos, o docente garante que a acreditação dos hospitais pode ser uma via para melhorar a qualidade, mas deixa uma aviso. “É possível certificar os meios auxiliares de diagnóstico e as práticas num laboratório, mas a acção de um médico não é um guia fechado e estratificado de como a pessoa deve intervir”, considera Luís Martins, e acrescenta: “Até à data não há nenhuma evidência científica que nos diga que a certificação e a normalização dos processos de trabalho se traduz em melhoria de qualidade do serviço e no aumento da fiabilidade e ausência de erros médicos”.
É neste sentido que a Pós-Graduação procura ajudar a compreender a natureza das organizações de saúde, assimilar conceitos e técnicas de gestão de risco em saúde e conhecer os principais sistemas de gestão da qualidade aplicados mundialmente.
A estrutura curricular compreende, por exemplo, a gestão do risco e a auditoria da qualidade em organizações de saúde.
O plano de estudo inclui, ainda, um wokshop internacional sobre “Segurança Clínica – o paradigma das organizações fiáveis”, que decorreu no passado dia 20 de Junho, com a presença de reputados especialistas na matéria, nomeadamente José Fragata.
Na próxima edição, o Jornal NORDESTE publica uma entrevista com Luís Martins, em que o tema em destaque será o reflexo dos modelos de gestão hospitalar na qualidade dos actos médicos.