Cultura em destaque no Dia da Cidade
Esta é a terceira exposição fundeada nos acervos documentais e fotográficos do arquivo pessoal do Padre António Maria Mourinho e do professor Santos Júnior.
O fascínio por Trás-os-Montes e Alto Douro juntou os dois investigadores, na década de 50, levando-os a entabularem um constante e amistoso diálogo numa correspondência que se encontra agora em exposição.
Após a abertura oficial da mostra, seguiu-se a actuação dos Pauliteiros de Constantim, que dançaram dois “lhaços”, num momento de grande simbolismo para o povo mirandês.
Legado dos gaiteiros é fundamental para conhecer as origens da cultura mirandesa
Após o espectáculo dos pauliteiros, chegou o lançamento de duas obras literárias. A primeira foi “Manuel José Lopes. Tiu Pepe, Gaiteiro da Freixiosa (1850-1924)”, de Mário Correia e Abílio Topa. Este livro, segundo Mário Correia, fala da vida dos protagonistas da cultura mirandesa. “Normalmente passa-se a ideia que os gaiteiros eram anti-sociais e marginais, mas eram gente que viviam nas aldeias e às vezes eram os únicos que saíam e traziam novidades de fora. Eram personagens que contribuíam para a dinamização da vida social dos meios onde estavam inseridos, daí que conhecer o seu legado é absolutamente fundamental para que se conheça as origens da cultura mirandesa”, explicou o autor.
A segunda obra é pertença de António Rodrigues Mourinho, sobrinho do saudoso padre António Maria Mourinho, e intitula-se “Documentos para o Estudo da Arquitectura Religiosa na antiga diocese de Miranda do Douro – Bragança, 1545 a 1800”.
Trata-se de um volume que tem como fundo a tese de doutoramento do autor, que decidiu continuar a investigar. “Como tive sempre o interesse em investigar cada vez mais recolhi mais documentos e decidi compilá-los neste livro”, explicou o autor.
No mesmo dia também foram lançadas as obras “Miranda do Douro – Guia”, de Ernesto Albino Vaz, e “Elementos de Gramática Mirandesa”, de Moisés Pires.