Crise põe trilhadeira a trabalhar
Francisco Diz, pequeno produtor e agricultor, recuou no tempo e decidiu trazer aquele equipamento de novo para os campos devido à subida dos gastos e à descida dos lucros. “Há 20 anos que esta máquina estava parada. Como só tenho prejuízos e a crise é muito grande, não podia pagar cerca de 100 euros à hora pelo serviço de uma debulhadora, pelo que decidi voltar a trabalhar com a trilhadeira”, explicou o lavrador.
Para o responsável, só assim o pequeno agricultor conseguirá fazer face às despesas mensais. “Os adubos, o combustível e tudo o resto aumentou de preço, menos os lucros, pois continuo a vender os vitelos pelo mesmo valor há 20 anos”, acrescentou.
Comprada há mais de 25 anos por 60 contos (actualmente 300 euros), a trilhadeira, fabricada há cerca de meio século, “desfaz” os cereais para serem, posteriormente, consumidos pelos animais. “É uma forma de poupar na alimentação dos vitelos, por isso só trilho cereal para consumo animal e não para vender, pois ter que lhes comprar toda a comida não compensava”, sublinhou Francisco Diz.
Por ano, Francisco Diz trilha apenas algumas toneladas de cereais que são para consumo animal
Depois de semeados os diferentes tipos de cereais, trigo, centeio ou aveia, chega o tempo de os ceifar e cortar, tarefa que é feita sempre com o tempo quente e sob um sol abrasador. Depois de amontoados, é a vez de os transportar, em reboques, para perto da trilhadeira, onde, com a ajuda de uma forquilha, serão colocados na trilhadeira para serem desfeitos. “Antigamente, ceifava-se à foice e juntava-se tudo em medas ou burnais. Com uma forquilha, metemos a palha na máquina e sai moído ou trilhado, conforme quisermos”, avançou o agricultor.
Uma vez que a máquina é, apenas, para utilização própria, Francisco Diz trilha algumas toneladas de cereais por ano. “Por reboque, chegamos a moer mais de 1 000 quilos somente para consumo animal. Dá muito trabalho, mas só assim conseguimos poupar algum dinheiro”, concluiu o responsável.