Sabores do Brasil ao ritmo quente do samba
A 28 de Julho de 1961 embarcou rumo a terras de Vera Cruz ficando alojado inicialmente em casa de uma tia, enquanto não conseguia arranjar emprego. A espera não foi longa e 10 dias depois de chegar, começou a trabalhar numa padaria, onde ficou cerca de um mês e meio. “Na padaria trabalhei exactamente 51 dias. Depois um rapaz que era da minha aldeia e também estava no Brasil, convidou-me para ser o gerente do seu restaurante e eu fui”, relata o empresário.
Dez meses mais tarde, e depois de ter feito um “pé-de-meia” decide começar a trabalhar por conta própria, após comprar um restaurante e uma loja. “Naquela altura tinha mais de vinte empregados, divididos entre o restaurante e a loja. Uns anos mais tarde decidi largar os dois negócios e abrir uma loja de materiais de construção civil”, revelou Adelino Ferreira.
Presentemente com 67 anos, o empresário conta que a sua integração no país irmão foi fácil. “Gostei muito do país, naquela altura era seguro trabalhar e viver lá. E depois, também o facto de ter começado a namorar e ter casado ajudou à minha estabilidade”, recorda o bragançano.
42 anos depois de ter chegado ao Brasil, decide que é hora de voltar a Portugal, muito por “culpa” das saudades da terra e o aumento da escalada da violência. “Tinha muitas saudades da minha terra de modo que, da última vez que vim a Portugal de férias, comprei um espaço e mandei montar o restaurante. Quando cheguei foi só acabar as instalações e abrir o “Sabor Brasil”. O sentimento de insegurança já era muito grande lá, então decidimos vir para cá”, garantiu o proprietário do Sabor Brasil.
Saudades da terra e escalada de violência ditaram regresso
a Bragança
Seis anos depois de ter regressado à região, Adelino Ferreira faz um balanço positivo. “Apesar de haver crise por todo lado, o negócio vai indo, mas como somos o único restaurante com rodízio brasileiro, quem desejar comer comida típica brasileira procura-nos até porque o preço é bastante acessível”, explica.
Com os olhos postos no futuro, o empresário não esconde que gostava de abrir um espaço em Mirandela, “porque considero que este sector está mal explorado, mas para já a situação não está para grandes voos”, salientou.
Presentemente, Adelino Ferreira vai ao Brasil de dois em dois anos “matar saudades da família”, mas não descarta a hipótese de voltar a morar no Brasil depois de se reformar. “Adoraria viver lá, mas sei que andaria muito cá e lá”, reconhece.