“Mirandela perdeu serviços e emprego”
Jornal Nordeste (JN) – Costuma dizer que “Mirandela tem ficado para trás nos últimos anos e que se fala muito, mas faz-se pouco”. Porquê?
Júlia Rodrigues (JR) – Porque é mesmo assim. Mirandela teve um ciclo de grande desenvolvimento e afirmação com o presidente José Gama. Estou à vontade para reconhecer isto, porque não sou da mesma área ideológica a que pertencia José Gama. Com o actual presidente gere-se o corrente. Não existem projectos de futuro. Mirandela perde serviços. Mirandela perde empregos. Mirandela perde centralidade. E o que faz o presidente? Fala. Volta a falar. E nada acontece. Alguém acredita que no tempo do José Gama era possível Mirandela ficar sem a Maternidade? Na gestão corrente do actual presidente, este, para fazer uma lista com algumas obras precisou de lembrar obras realizadas ao longo de 15 anos.
JN – Acha que se perdeu o orgulho de ser mirandelense?
JR – Acho que existe um sentimento de orgulho de ser Mirandelense que precisa de ser recuperado e enaltecido. Os Mirandelenses têm uma grande identidade com a sua terra. O problema não é dos Mirandelenses, é antes de uma liderança municipal demasiado frágil, que se fica por palavras e mais palavras.
JN – De que modo pretende levar serviços e empresas a instalarem-se no concelho, de modo a criar emprego? E apoiar a Agricultura?
JR – Vamos criar um Gabinete Operacional de captação de empresas e de investimentos. Vivemos num mundo global e competitivo. Temos que saber tirar partido desta realidade e temos que ser competitivos com regiões e cidades semelhantes à nossa. Quanto à agricultura vamos criar o pelouro da Agricultura. Teremos um Vereador que será o vereador dos agricultores. Mais do que apoio à agricultura que é fundamental, vamos criar mecanismos de apoio à comercialização dos produtos naturais. Vamos criar e divulgar a marca Mirandela para os produtos locais.
JN – Acredita que vai ser a 1ª Presidente de Câmara de Mirandela ou um lugar de Vereadora já é uma vitória?
JR – Espero merecer o apoio dos Mirandelenses para ser a primeira mulher presidente de Câmara. Os Mirandelenses – se me elegerem – farão história. No dia 11 de Outubro se eu ganhar o país inteiro falará de Mirandela. Vitória é ganhar as eleições, o contrário será uma derrota.
JN – Quais são os 3 principais “pecados” do executivo liderado por José Silvano?
JR – Primeiro, fala muito e faz pouco. Segundo, gere o corrente sem uma visão e uma estratégia de desenvolvimento e de afirmação de Mirandela. Terceiro, parou no tempo, não foi capaz de acompanhar as mudanças em curso na nossa sociedade.
“Acho que existe um sentimento de orgulho de ser Mirandelense que precisa de ser recuperado e enaltecido”
JN – Mirandela é uma terra que sabe tratar dos idosos ou há muito a fazer para dar qualidade de vida à Terceira Idade?
JR – Há muito a fazer pelos nossos idosos. Na câmara vamos ter uma carrinha que percorrerá as freguesias com apoio de saúde. Terá equipamentos de telemedicina, do mais avançado que existe. Lembro que isto não é nada que, por exemplo, não exista noutros concelhos.
JN – No caso de ser eleita Presidente da Câmara, tem receio de encontrar a autarquia numa situação financeira complicada?
JR – Sei que a Câmara tem uma situação financeira muito complicada. Mas não me vou desculpar com tal facto. Teremos que encontrar soluções. Fazer uma gestão de grande rigor e de alguma contenção, mas sem prejudicar o desenvolvimento do Concelho.
JN – Teme que a extinção da Maternidade em Mirandela venha a prejudicar os resultados do PS nas Eleições Autárquicas?
JR – De modo algum. O PS não estava na Câmara Municipal. Quem não soube e não teve capacidade para manter a maternidade foi a maioria do PSD na Câmara. Quero dizer-lhe com humildade, mas também com muita convicção, comigo na Câmara a Maternidade não saía. Nem que tivesse de me demitir.
JN – Acredita na viabilidade do Hospital da Terra Quente?
JR – O Hospital da Terra Quente por enquanto é apenas uma promessa e muitas palavras por cumprir do actual presidente. Sobre isto também falou muito e até agora nada. O modelo tem sido substancialmente alterado e este já é o 3.º ou 4.º projecto. Já foram convocados pelo menos 5 conferências de imprensa, com pelo menos 2 datas de inauguração diferenciadas de 2 anos. O início das obras, previstas para Fevereiro de 2008, foi sendo sempre adiado. A última data apontada pelo actual presidente foi Junho de 2009, que também já passou. Palavras, palavras, palavras e nada.
JN – Hoje já está em condições de revelar os motivos que a levaram a demitir-se do cargo de Directora Regional Adjunta de Agricultura e Pescas do Norte?
JR – Quem me conhece sabe que lutei e lutarei sempre para que a Direcção Regional fique em Mirandela, mesmo que isso tenha custos profissionais e pessoais.
JN – Acha que Mirandela pode vir a perder a sede deste serviço?
JR – Se dependesse do actual presidente de Câmara claro que perderia. Contudo, tenho esperança que nunca venha a acontecer.