Faltam incentivos à promoção do azeite DOP
O alerta parte do presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD), António Branco, que defende uma estratégia nacional de valorização dos produtos de qualidade.
O responsável diz mesmo que os agricultores tratam do olival por “amor à camisola” ou por uma questão de tradição e não pelas mais-valias económicas. “Ninguém se mantém numa actividade em que o produto tem o mesmo preço há duas décadas e as despesas com a produção aumentaram mais de 100 por cento pelo lucro”, sustenta António Branco.
Para rentabilizar a actividade, o presidente da AOTAD desafia o Governo a apostar em estratégias de valorização dos produtos de qualidade dentro e fora do País. “Eu vou a uma feira internacional e vejo um pavilhão com azeites de Espanha, de Itália e nunca vi um pavilhão com os azeites de Portugal. Isso significa que nós não somos reconhecidos nos mercados internacionais como um País de produção de qualidade”, denuncia o responsável.
Apenas 150 olivicultores vão receber apoios financeiros para cobrir os prejuízos causados pelas geadas
Na óptica de António Branco, as medidas do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) estão a ser lançadas, apenas, com base numa estratégia que aposta na plantação e no investimento nas explorações, estando a ser descurada a estratégia de valorização dos produtos. “Há uma medida que nos permite apresentar candidaturas até 500 mil euros para promoção, mas como é que eu consigo arranjar produtores que invistam numa candidatura dessas?”, questiona o responsável.
O presidente da AOTAD afirma, ainda, que não é por falta de tentativas que o azeite DOP da região não consegue apoios. “Temos tentado concorrer a programas de apoio à comercialização nos mercados terceiros e nos mercados internos lançados por Bruxelas, mas não conseguimos passar de Lisboa. No último concurso foram gastos, apenas, 17 milhões do plafond de 25 milhões para toda a Europa e nenhum dos projectos aprovados é português, mas sim DOPs italianos que já têm valorização”, lamenta António Branco.
No que toca às medidas lançadas para apoiar os agricultores afectados pelas geadas que têm contribuído para a morte do olival, apenas um terço vão receber apoios do Ministério da Agricultura.
É que dos mais de 700 olivicultores que participaram os prejuízos, apenas 150 viram as candidaturas aprovadas.