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“Jorge Nunes e Jorge Gomes têm algo forte em comum”

“Jorge Nunes e Jorge Gomes têm algo forte em comum”
  • 15 de Setembro de 2009, 09:42

Jornal Nordeste (JN) – Encontrou muitos entraves ao tentar formalizar a sua candidatura como Independente?
Guedes de Almeida (GA): Sim, mesmo muitos. Vive-se no concelho de Bragança, e estranhamente na cidade de Bragança, um clima de medo generalizado por parte dos cidadãos, o que é para reflectir com preocupação, pois pode afirmar-se que a Democracia neste concelho, e só me refiro ao concelho, está moribunda e demasiado subjugada. Porque existe medo na segurança do trabalho e emprego, nos negócios, na expectativa profissional.
Porque dizem os cidadãos, por um lado está o candidato Jorge Nunes, ainda Presidente da Câmara, e por outro está Jorge Gomes, até há bem pouco tempo governador civil, e que ambos não perdoam a quem esteja contra si. E eles têm algo de comum…muito forte mesmo. Digo mesmo que com esta lei é impossível constituir listas independentes às autarquias no interior do país, pelo menos. Só como mero acto de mostrar descontentamentos por parte dos munícipes. Daí o ter aceitado o convite do CDS – PP e de ter visto facilitada a candidatura coesa e com expectativas ganhadoras às eleições de 11 de Outubro.

JN – Acusam-se de já ter alinhado por vários partidos e de andar ao sabor do vento. Considera-se injustiçado com este tipo de comentários?
GA – Isso é falso e só pode ser dito por quem não conhece a minha actividade como cidadão da cidade e distrito de Bragança.
Não sou “yes man”, porque se fosse decerto que já teria sido deputado e/ou presidente duma Câmara. Porque aos 30 anos de idade fui vereador eleito na Câmara Municipal de Bragança, como independente pelo PS. Ou o PS não era social-democrata? Por isso, hoje lidero uma equipa candidata à Câmara Municipal de Bragança politicamente impoluta, sem que nenhum dos seus membros ande atrás de benesses, profissionalmente arrumados e com mérito e apenas por obrigação cívica e de acudir ao risco em que se encontra o futuro de Bragança, seu concelho e distrito é que decidiram ser candidatos.
Sou militante do PSD há 18 anos e sempre me manifestei contra todos os actos governamentais e autárquicos que prejudicaram o concelho de Bragança e o distrito.
Provei-o como jornalista que fui durante cerca de 20 anos e em que sempre dei voz ao descontentamento das populações. Lembro a maior manifestação do distrito contra o roubo do comboio da estação de Bragança, organizada por mim e em que foram recolhidas e entregues no Governo Civil de Bragança, ao então governador, Cruz Oliveira, abaixo assinado contra esse acto ultrajante, com cerca de dez mil assinaturas.

JN – Acha que o facto de ser candidato pelo CDS-PP vai retirar votos à candidatura do PSD?
GA – Claro que vai, não haja dúvidas. Porque o concelho sabe, o meu partido – PSD – sabe desde início deste ano, que seria candidato como seu militante, embora arriscando como independente. Sempre anunciei esse estatuto.
Foi uma minha exigência junto do CDS – PP que, democraticamente aceitou e entendeu que, objectivamente, esta candidatura era importante para o concelho de Bragança e mesmo para o distrito, dado o comportamento político do Engº Jorge Nunes, em permanente conflito com o próprio PSD e seus destacados militantes, a consolidar uma política autárquica nada social-democrata e a realizar uma política narcisista e do estilo “eucalipto”, secar tudo e todos à sua volta.
Arrisco afirmar que a candidatura de Jorge Nunes não é certamente representativa, materialmente, do PSD. O PSD revê-se mais, substancialmente, nas minha lista. Sem dúvida … não me considero “galáctico”… só sei trabalhar em equipa com decisões previamente discutidas.

JN – Sente o apoio dos militantes do PSD que não se revêem na candidatura de Jorge Nunes?
GA – Certamente e sem qualquer dúvida. Tenho essa garantia quase absoluta. Aliás a minha candidatura e as minhas razões de ser opositor a Jorge Nunes surgiram há quatro anos e vieram sempre sendo tornadas públicas no seio do próprio PSD de Bragança, na Assembleia Municipal de Bragança e na comunicação social e minhas intervenções públicas.
Há quatro anos, em 18 de Agosto de 2005, entreguei em mão uma carta ao Engº Jorge Nunes, onde, face às mesmas razões que agora fizeram levantar e conflituar a concelhia e Paulo Xavier contra o candidato ao executivo, lhe disse retirar toda a minha confiança política e que agiria de acordo com a minha livre e responsável consciência como membro da Assembleia Municipal. E essa carta e retirada de confiança política foi feita na qualidade de vice-presidente da Comissão Política Concelhia de Bragança.
Portanto, os militantes do PSD conhecem e sabem que a minha candidatura é como que uma candidatura de reserva moral dos verdadeiros social-democratas e, não, de isolado membro e representante de qualquer outra organização de princípios extremistas e fechados para interesse de reduzidos grupos. E sempre fui frontal e transparente neste comportamento.

JN – Ainda é militante do PSD ou já entregou o cartão?
GA – Ainda sou militante e espero e quero continuar a ser. Aliás, estatutariamente, quem não cumpriu os estatutos foram precisamente, Jorge Nunes, como Presidente da Mesa de Secção e Paulo Xavier como Presidente da Comissão política Concelhia. Contrariamente ao estipulado nos Estatutos do PSD, nem Jorge Nunes e nem Paulo Xavier convocaram qualquer reunião da secção para consulta às bases e, só já em final de Maio, é que se soube que Jorge Nunes se recandidataria, depois de tudo ter tentado para ser candidato ao Parlamento Europeu e/ou cabeça de lista às legislativas sob proposta da Presidente do PSD.
Conhecem-se os conflitos e as estratégias e expectativas de ambos e sempre com o PSD em desgaste. E foi antecipando este cenário que, logo em Março, informei, via mail, o Presidente da Comissão Politica Distrital a comunicar-lhe as razões de pretender ser candidato à Câmara Municipal de Bragança. Também, via mail, informei, a Presidente do PSD das minhas intenções, muito antes de Jorge Nunes ter anunciado querer ser candidato.
Não houve qualquer reacção para esclarecer a situação. Como não houve deliberação da secção concelhia, estou consciente que disciplinarmente se me possam imputar quaisquer culpas. Por isso, vou manter o cartão. Mas aceito procedimento disciplinar para esclarecer a situação.
Aliás, estranho que durante os últimos quatro anos o PSD tenha aceitado a minha discordância quase constante à governação do Engº Jorge Nunes, qualificando-o mesmo como não social-democrata e de com as suas “sábias” decisões prejudicar os abnegados militantes do PSD em favor de personalidades anti-PSD, que colocou no exercício de funções destacadas e principescamente remuneradas.

“Só em final de Maio é que se soube que Jorge Nunes se recandidataria, depois de tudo ter tentado para ser candidato ao Parlamento Europeu e/ou cabeça de lista às Legislativas, sob proposta da Presidente do PSD”

JN – Pretende retirar vantagens das divergências que existem entre Paulo Xavier e Jorge Nunes? Quem vai ficar a perder nesta guerra?
GA – Claro que pela génese da minha candidatura, como disse, alimentada ao longo dos últimos quatro anos já pela notada divisão entre ambos, que permitiu o meu levantamento de voz contra a gestão de Jorge Nunes e sua forma fechada de decidir, com desprezo dos militantes do PSD, fez com que os eleitores do PSD reconheçam na minha candidatura aquela coerente e merecedora da confiança do seu voto a 11 de Outubro, por subido respeito à exigência da realização dos seus valores e princípios políticos, a bem das pessoas acima de tudo.
Considero que quem perde com esta guerra e perde muito, é o PSD como grande partido democrático que é e que Jorge Nunes e Paulo Xavier esfrangalharam.

JN – Na sua opinião, quais são os 3 pecados capitais deste Executivo Camarário?
GA – Só formalmente se pode designar como órgão executivo autárquico, pois que é mais deliberativo e com tiques de narcisismo monocéfalo.
Por isso os três pecados na análise que ausculto junto dos munícipes: 1 – Não pensa e nem debate como órgão colegial; 2 – Só os técnicos de fora de Bragança servem …pois, para ele, os da terra nada sabem; 3 – É subserviente ao “chefe”…e até “corroboram” o que este “vier a dizer…”

JN – Quais são as 5 prioridades da sua política para o Município de Bragança?
GA – Imediatamente após a eleição, recolocar o Mercado Municipal na Praça Camões e readaptar o tráfego automóvel e de pessoas nas ruas confluentes, por forma a que possam circular dois veículos na mesma via e não só um como agora e redesenhar a configuração da Praça da Sé, com respeito pela traça da sua história.
2 – Iniciar projecto de reabilitação das ruas centrais e históricas da cidade, por forma a transformá-las nas ruas comerciais de excelência turística da cidade e concelho;
3 – Baixar taxas municipais, excessivamente elevadas hoje, com incidência nos custos da água, licenças de obras consoante a natureza, IMI e IMT, renovação geral do parqueamento de veículos com fiscalização pela Polícia Municipal a criar e instalar, patrocinar, directa e indirectamente, a criação de 2.500 postos de trabalho até final do mandato.
4 – Imediatamente analisar o modo e termos da actual adesão da Câmara de Bragança na Empresa Águas de Trás-os-Montes e, se essa adesão se considerar prejudicial para o abastecimento de água ao concelho, será decidida a sua saída, pois a barragem das Veiguinhas tem que ser construída; de igual forma, será imediatamente considerado se o Parque Natural de Montesinho serve os interesses das populações que vivem na sua área, sob pena de lutar pela sua desintegração.
5 – Imediatamente serão descentralizados serviços municipais para a Vila de Izeda e aqui será instalado um estaleiro de máquinas e equipamentos que permita acorrer a trabalhos rurais naquela área do concelho. Assim se fixarão postos de trabalho naquela vila e as suas estruturas cívicas e comunitárias serão sobrelevadas.

JN – Sofreu represálias após ter criticado a postura da PSP em relação ao estacionamento na via pública?
GA – Não notei, apesar de em duas situações ter considerado “excesso de zelo”, pois passariam cerca de 10 minutos do limite de tempo constante no ticket … e depois de ter retirado recibo de um euro – cem minutos.
Mas a culpa não é dos Senhores Agentes da PSP … é apenas do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Bragança que exige “tolerância zero” na fiscalização pedida à PSP.
Para quê? Ninguém entende esta pressão determinada pela Câmara … a não ser que para forçar a ocupação dos parques do Fórum, ainda não pagos…e que alguém vai ter que pagar e cujo pedido formulado em tribunal pela Bragaparques será de cerca de cinco milhões de euros. Quem vai pagar este grande negócio?

“Não sou “yes man”, porque se fosse decerto que já teria sido deputado e/ou presidente duma Câmara. Porque aos 30 anos de idade fui vereador eleito na Câmara Municipal de Bragança, como independente pelo PS. Ou o PS não era social-democrata?”

JN – Revê-se no projecto do Aeroporto Regional de Bragança ou não lhe reconhece qualquer viabilidade?
GA – Não me revejo … embora tudo fizesse para que tal fosse possível. Infelizmente não é. Porque o Aeroporto Regional de Bragança….é um “delírio” do Engº Jorge Nunes, uma visão ao “tremer do sol” … talvez.
Nas actuais circunstâncias estratégicas e isolacionistas de Jorge Nunes perante os demais concelhos do distrito e perante a ascendência metropolitana de Vila real, Jorge Nunes não consegue meios e políticas de apoio.
Mas é um bem e um valor infra-estrutural que será trabalhado e reivindicado pelo meu executivo e gabinete técnico multidisciplinar a criar e instalar.

JN – A bancada do PSD na Assembleia Municipal de Bragança apresenta propostas ao Executivo ou limita-se a viabilizar todos os projectos da Câmara Municipal?
GA – Como já acima disse, os executivos de Jorge Nunes são também deliberativos. Está-lhe no “genes”… Daí a minha discordância com ele ao longo destes quatro últimos anos.
Pode dizer-se, com toda a coerência e verdade, que neste doze anos não foi o PSD quem governou o Município de Bragança, mas o Engº Jorge Nunes, quem “desenhou” como quis toda a forma de governação … e a Assembleia Municipal aprovava de olhos fechados … refiro-me à maioria PSD.
Caso sonante foi a provação do Plano de Urbanização de Bragança, quase sem qualquer análise e discussão e com a “esquisita” faceta de, para discussão, o Engº Nunes ter entregue suporte digital em vez de ter sido em papel. Imagine-se o resultado …Aí, numa reunião da Assembleia Municipal, Paulo Xavier e um “outro Senhor”, em rasgado espírito dos princípios da Democracia, “amordaçaram” a minha voz e não pude falar tudo.
Por exemplo, questionar quem são os legítimos titulares dos terrenos marginais à ciclovia que irá desde a Coxa até ao S. Lourenço pela antiga linha do comboio; quem é titular dos lotes na zona Industrial das Cantarias que estão por construir e cumprir o regulamento camarário sobre a matéria … e mais.
A Assembleia Municipal, tal como a trata o Eng. Jorge Nunes, é um órgão desprestigiado …e mais desde que o Dr. Telmo Moreno deixou de ser seu Presidente, pois sempre reclamava condições de hierarquia e de dignidade.

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