“Bragança já perdeu demasiado tempo”
Jornal Nordeste (JN) – É a única mulher a concorrer à Câmara de Bragança. O que a levou a aceitar este desafio?
Liliana Fernandes (LF) – O convite partiu do Bloco de Esquerda, e como já referi anteriormente, aceitei o desafio porque me parece por demais necessário haver uma alternativa às constantes opções que os demais partidos apresentam. Para além das diferentes propostas políticas que o Bloco apresenta, parece-me extremamente importante que as mulheres tenham um papel mais activo e interventivo no panorama político nacional e local, bem como no activismo social.
JN – O que a distingue dos restantes candidatos?
LF – Penso que o facto de ser a única mulher a concorrer à Autarquia é por si só uma grande diferença, que se traduz numa visão de vida e de alternativas político-sociais muito díspares dos restantes candidatos, diferenças essa bem patentes no nosso programa autárquico.
Para além disso penso que esta candidatura irá contribuir para transmitir a todos os cidadãos que a mulher, para além de mãe e dona de casa, está também disponível para assumir um papel activo na sociedade, na defesa dos direitos dos munícipes e contribuindo positivamente para a implementação de um conjunto de medidas que permitirão uma significativa melhoria das condições de vida no nosso Concelho.
JN – De que forma pode contribuir para o desenvolvimento do concelho de Bragança?
LF – Podemos e queremos contribuir para o desenvolvimento do Concelho a curto prazo, através da participação e da partilha de experiências próprias e da comunidade, apresentando aos Brigantinos um programa que, para além de dar expressão ao projecto do Bloco de Esquerda para Portugal, se centra nas dificuldades que os Brigantinos sentem, nas diferenças próprias de uma região com uma identidade bem vincada e que não tem recebido da parte do Governo Central a atenção que merece. Procuraremos, por isso, alternativas credíveis que possam dar uma resposta adequada o mais breve possível. Bragança já perdeu demasiado tempo neste marasmo político que tem sido a “dança de cadeiras” PS – PSD, não podendo os munícipes “dar-se ao luxo” de perder mais tempo, queremos uma cidade, um concelho e uma região que efectivamente façam parte deste país… Queremos encurtar distâncias face ao poder e aos centros de decisão, mas mais que isso, queremos estar no centro das decisões, tomar parte nelas e não apenas aguardar que Lisboa as tome por nós… Queremos aproveitar a localização estratégica de porta para a Europa e tornar a região mais competitiva, mais atractiva para todos… Queremos uma outra política, uma outra gestão do município, onde os elementos centrais voltem a ser os munícipes e não apenas os números de uma política economicista! Iremos ao encontro das populações com um projecto e um programa verdadeiros, socialistas e de esquerda, que não se abandonam a falácias e promessas vãs, que não se revêem nos discursos fáceis, tão abundantes nos períodos eleitorais…
“Queremos aproveitar a localização estratégica de porta para a Europa e tornar a região mais competitiva, mais atractiva para todos”
JN – Em que áreas acha que o actual executivo mais tem falhado? Porquê?
LF – Penso a falha não reside nesta ou naquela área, apesar de podermos apontar alguns erros estratégicos, como a insistência na entrada e permanência nas Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, que nunca resolveu o problema crónico de abastecimento de água ao Município, ou a inexistência de uma política eficaz de habitação social, ou ainda a inexistência de uma política de investimento que se traduza em efectivo crescimento sócio económico do Município. Penso sim que a principal falha está na falta de uma visão estratégica de conjunto e de futuro, que permita actuar em diferentes áreas, da Educação à Saúde, Cultura, Ambiente, Urbanismo…, traduzindo-se o trabalho realizado num verdadeiro crescimento económico e social, que traria mais e melhores condições de vida às populações.
JN – Em que sectores acredita que é possível fazer mais e melhor?
LF – Creio que é possível fazer mais e melhor, principalmente no que concerne às políticas sociais e infra-estruturais, nomeadamente à rede de captação e abastecimento de águas, à dotação da rede de saneamento básico a 100% do Concelho (não acreditamos em “cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª”), à recuperação da ligação do município e munícipes ao Parque Natural de Montesinho. Preocupa-nos de sobremaneira o despovoamento das freguesias rurais, é urgente dotar as Aldeias de condições que promovam a fixação das populações. Queremos que estas sejam verdadeiramente servidas pela rede de transportes públicos… Bragança merece uma verdadeira aposta na cultura, na promoção de eventos, de feiras, certames e seminários, merece um sério investimento em serviços de saúde, de uma aposta credível no turismo e na promoção da região além fronteiras, de forma a captar investimentos externos que contribuam para a melhoria de vida das populações e no aumento do emprego, de forma a travar já a fuga das populações e a inverter os fluxos migratórios.
JN – Que potencialidades vê no concelho de Bragança e que têm sido desaproveitadas?
LF – A grande potencialidade do Concelho é o Turismo e a excelente qualidade de vida que oferece, que, aliados à cultura e identidade das suas gentes, através de um investimento sério e credível poderiam trazer excelentes frutos, cujos benefícios reverteriam a favor das populações em todas as áreas.