100 anos de raça Mirandesa
Se o projecto se concretizar, o futuro da raça mirandesa é promissor, pois actua num mercado onde a procura supera a capacidade de resposta dos produtores de carne mirandesa, um dos poucos produtos que resistiu, nos últimos tempos, à queda acentuada do preço pago ao produtor
Segundo o secretário técnico da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mirandesa, Fernando Sousa, “com o investimento previsto o futuro é promissor, porque vamos ganhar competitividade e atingir maior quota de mercado”.
Actualmente, a CAM está a comercializar cerca de 2 milhões de euros de carne por ano e, com o projecto da unidade de transformação de carnes na zona industrial de Vimioso, a facturação poderá triplicar num espaço de cinco anos.
Por isso, o responsável acredita que será possível atrair agricultores que estão a perder rentabilidade noutras actividades agrícolas.
Os enchidos de carne de vaca são uma das aposta dos produtores, que agora se pretendem lançar no mercado externo, já que está pensada uma forma de comercializar a carne mirandesa na União Europeia (UE) através de um distribuidor sedeado em Paris.
Em Portugal serão colocados entrepostos em Lisboa e Porto, para abastecer aquelas duas áreas metropolitanas regiões onde a carne tem muita procura.
Para além do mercado europeu, os animais de raça bovina mirandesa já estão a chegar Angola, país que depressa se apercebeu do potencial desta raça.
Efectivo caiu de 228 mil vacas para a 6 mil dos dias de hoje
No solar da raça mirandesa existe um efectivo de cerca de seis mil vacas de linha pura, mas tempos houve em que número destes animais era superior.
“Houve tempos em que o solar era composto 228 mil vacas. No presente são seis mil, mas há ambição de crescimento,” afiançou Fernando Sousa.
Os agricultores encaram o futuro com algum optimismo, já que cada um recebe um subsídio de da UE que ronda os 600 euros anuais por cabeça, quando a venda de um vitelo pode ir além dos 800 euros.
Todos os anos chegam ao mercado cerca de 360 toneladas de carne mirandesa, a qual dá origem ao um dos mais emblemáticos pratos da gastronomia transmontana: a Posta à Mirandesa.
Eis algumas das conclusões retiradas das jornadas técnicas que, no passado sábado, em Miranda do Douro, pretenderam assinalar o 100º aniversário do reconhecimento da raça.