Caldeireiro resiste em Vale de Frades
Da oficina do artífice, situada na pequena aldeia de Vale Frades, no concelho de Vimioso, ainda vão saindo algumas “alquitarras” – uma espécie de alambique para destilar aguardente – tachos, braseiras, candeeiros, caldeirões ou pequenos objectos decorativos.
No entanto, a profissão de caldeireiro está a desaparecer. Na região ainda havia alguns artífices, mas restam um número reduzido de artesãos. Houve tempo em que esta profissão era nobre e alimentava muitas famílias, já que os instrumentos produzidos eram muito apreciados, não só pelos homens da terra, mas também pelas cozinheiras de renome e das casas mais abastadas. “Polvo cozido num tacho de cobre tem outro sabor, tornando-se mais apaladado. Enquanto a aguardente destilada numa alquitarra também é mais suave”, afiança Delmiro Gonçalves.
Objectos moldados pelo último caldeireiro de Vale de Frades são muito procuradas para decoração
No passado, a procura de objectos em cobre era grande, pelo que os caldeireiros não tinham mãos a medir. “Tudo que era feito estava automaticamente vendido. Os recipientes de cobre eram muito utilizados na cozinha, tendo lugar de destaque para a confecção da famosa doçaria regional”, conta o artesão.
Delmiro Gonçalves aprendeu a arte como o avô, tendo continuado a receber ensinamentos do seu pai. A família percorria feiras e mercados da região com os utensílios carregados em cima de mulas. Mais tarde, o artífice, que trabalha nesta arte desde os 10 anos, compra a sua primeira viatura, iniciando a difusão do negócio. Com a proximidade da fronteira com Espanha, houve uma procura mais significativa dos objectos em cobre fabricados pelos poucos caldeireiros da região da raia trasmontana.
“ Eu prefiro trabalhar o cobre do que sair para fazer trabalhos agrícolas. Na minha oficina, são manufacturamos todos os componentes, quer sejam para objectos em cobre polido, quer sejam em cobre martelado”, realça Delmiro Gonçalves.
Actualmente, não há quem queira seguir as pisadas dos antigos caldeireiros e estes artefactos começam a perder terreno. No entanto, ainda há quem os compre para decoração de salas ou adegas.