“CDU marca a agenda na Assembleia Municipal”
Jornal Nordeste (JN) – Concorre para ser Presidente da Câmara ou contenta-se com um lugar de Vereador?
José Castro (JC) – A lista da CDU para a Câmara Municipal é competente em todas as matérias do domínio da política e gestão municipal, seja pelo valor das pessoas que a integram, seja pela proximidade das populações com que temos vindo a exercer a nossa prática política.
Quem acompanha de perto o trabalho do Grupo Municipal da CDU na Assembleia Municipal sabe o que tem sido a nossa prática. Estamos por isso preparados para assumir todas as responsabilidades, assim os bragançanos o decidam no próximo dia 11 de Outubro.
Ao longo do último mandato fomos a única força política na Assembleia Municipal que exerceu o seu direito de agendar assuntos da política municipal com interesse para os munícipes, manifestando aí as nossas ideias para a cultura, a educação, o ambiente e as empresas municipais. Nenhuma outra força política o fez, deixando a actual gestão PSD/PS governar sem juízo nem escrutínio.
JN – Fala-se que no município de Bragança existe um clima de medo de enfrentar o executivo PSD e de não alinhar nas listas do PS. Sente isso na pele?
JC – Se há força política que tem sido prejudicada por esse “clima de medo” que refere, ela é a CDU e não o PS que não tem deixado de interferir sistematicamente com o seu “magistério de influência” governativa na política local. Ninguém acredita que alguém que até há três meses era Governador Civil possa agora ter outras dificuldades que não aquelas que derivam da prática política do PS no executivo municipal, que na maioria das decisões, principalmente naquelas que mais prejudicam os interesses dos bragançanos, sempre esteve ao lado da direita. É com essas práticas de conivência com o PSD que o PS deve justificar a derrota que parece já estar a adivinhar.
JN – Acha que a candidatura do Bloco de Esquerda vai retirar votos à CDU?
JC – Desde a emergência do BE que a CDU não tem parado de se reforçar em votos e mandatos, quer na Assembleia da República quer nas Autarquias Locais. Por isso, bastaria uma análise mais cuidada desses resultados para saber de onde foram “retirados” esses votos, nem mais nem menos que aos responsáveis pela governação de direita neste País, PS e PSD.
JN – Parafraseando o ministro Augusto Santos Silva, acha que a candidatura do Bloco de Esquerda representa a “esquerda chique” de Bragança?
JC – Deve ser perguntado a quem diz respeito essa matéria. Já a CDU afirma-se antes pela prática de muitos anos, como a esquerda presente e necessária, já com todas as provas dadas!
JN – Quais são as 5 prioridades da sua política para o Município de Bragança?
JC – São mais do que cinco as prioridades necessárias para alterar o rumo tomado pelo actual executivo municipal e que nos vêm afastando dos níveis de desenvolvimento das restantes capitais de distrito do País. Ao longo do último mandato, a CDU foi apontado essas prioridades na Assembleia Municipal, fazendo sempre propostas para alterarmos esta política. É deste modo que vamos ao encontro dos interesses do Município e de todos os munícipes, não só de alguns, quase sempre os mesmos.
Neste momento urge reestabelecer a coesão municipal, recuperando parcerias reais com todas a suas instituições municipais implicadas no desenvolvimento local para um diálogo que combata o isolamento que pauta a acção governativa do executivo; é o caso das associações de produtores, de industriais, do comércio e serviços, as desportivas, culturais e recreativas, as de solidariedade social, entre outras.
Urge também combater a precariedade no emprego que pauta a acção governativa municipal na educação, desporto e cultura, mas também a precariedade laboral que impera nas empresas a quem o Município tem entregue os seus serviços de segurança, água e saneamento, resíduos, etc.
“Se há força política que tem sido prejudicada por esse “clima de medo” que refere, ela é a CDU e não o PS que não tem deixado de interferir sistematicamente com o seu “magistério de influência” governativa na política local”
Urge reabilitar o meio rural do concelho tão esquecido quanto maltratado pela visão pacóvia pseudourbana do executivo municipal, incapaz de desenvolver as naturais aptidões de cada comunidade, limitando-se à distribuição repetitiva, avulsa e cacique, de infra-estruturas.
Urge também alterar o modelo de mobilidade urbana que este executivo tem promovido, “retalhando” a cidade ao optar por vias rápidas em detrimento de formas mais modernas e sustentáveis de transporte público, pedonal e ciclável.
Urge ainda um forte compromisso com a nossa memória colectiva tão mal tratada com a degradação do nosso centro histórico, dos nossos núcleos rurais, e da generalidade da nossa cultura e tradições locais.
JN – Na sua opinião, quais são os 3 pecados capitais deste Executivo Camarário?
JC – Não lhes chamaria pecados capitais mas antes erros crassos de uma força política que não respeita os interesses do Município nem de quem trabalha. E é difícil encontrar só três mas entre os mais importantes estão seguramente: a precariedade de emprego que este executivo camarário promove com o patrocínio da transferência de competências para os municípios e o novo código laboral do governo PSócrates; a falta de propostas para a dignificação das nossas comunidades rurais; e a abertura irresponsável de novas frentes de urbanização para especulação imobiliária num momento em que o centro da cidade se degrada e a procura por habitação está estagnada.
JN – O Aeroporto Regional de Bragança é um delírio do Presidente da Câmara ou um sonho que pode tornar-se realidade?
JC – A CDU considera que Bragança precisa de viabilizar de forma sustentável um aeródromo para apoio ao desenvolvimento regional, necessário num contexto de progresso e articulação regional. Porém, o que acontece actualmente é exactamente o contrário; o progresso da região continua a ser sucessivamente adiado pelas opções neo-liberais do PS e PSD que suportam o executivo municipal, não sendo Bragança reconhecida sequer como capital do poder executivo da CIM – Comunidade Inter-Municpal.
Não admira por isso que hoje as ligações aéreas sejam hoje ainda menos do que há quatro anos, com a supressão da ligação internacional (Paris), e muito menos do que as que existiam há 20 anos.
JN – A bancada do PSD na Assembleia Municipal de Bragança apresenta propostas ao Executivo ou limita-se a viabilizar todos os projectos da Câmara Municipal?
JC – A bancada do PSD suporta o seu executivo, como lhe compete, contribuindo assim com a sua cota-parte para uma governação que tem vindo a afastar ainda mais o nosso Município dos índices de crescimento das restantes capitais de distrito no nosso País. Já a bancada do PS, por oportunismo, tem entrado em contradição com a conivência dos seus vereadores que na generalidade concordam com a governação PSD.
JN – Caso seja eleito, como pensa marcar a diferença?
JC – A diferença da CDU para as outras forças partidárias está nas propostas e compromissos que apresentam aos bragançanos, bem como na proximidade relativamente às suas dificuldades e anseios e na resolução com justiça dos seus problemas.
É por isso que somos reconhecidos e não vamos mudar; nós não acreditamos em mudanças de comportamento de última hora para as eleições, nem no recurso a “Photoshop’s” ideológicos.
Entrevista: João Campos