Região

Valiosa arte sacra

  • 29 de Setembro de 2009, 10:12

A Associação Terras Quentes (ATQ) identificou uma importante peça de arte sacra. Trata-se um retábulo quinhentista, que terá sido pintado na segunda metade do século XVI e integra uma singular pintura a óleo, madeira de carvalho, com uma cena do Pentecostes. A peça foi encontrada no âmbito de um a trabalho de inventário de arte sacra levado a efeito na região trasmontana e promovido pela diocese Bragança – Miranda.
“O achado foi feito na sacristia da capela de Santo António, em Freixo de Espada à Cinta. O painel encontrava-se em mau estado de conservação, no entanto a equipa de técnicos da ATQ conseguiu descobrir o autor do trabalho”, revelou o investigador e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Vítor Serrão. O autor do trabalho é António Leitão e esta é, apenas, uma das muitas obras do gótico espalhado pela região trasmontana.
“Este painel tem uma valor significativo, porque se trata de uma pintura de elevada qualidade iconográfica no tratamento do tema do Pentecostes. O trabalho tem um valor acrescido, já que se trata de um pintor bastante enigmático”, acrescentou o investigador.

Riqueza arquitectónica identificada pela Associação coloca a região no mapa cultural nacional

António Leitão nasceu em Castelo Bom (Beira Alta) por volta de 1530 e poderá ter falecido em Miranda do Douro. O artista teve formação superior, já que foi educado junto da Infanta Dona Maria, que o mandou para Roma aprender pintura, tendo vivido em Antuérpia. Aos 30 anos deslocou-se para a região raiana, tendo deixado obra em Pinhel, Lamego e Vila Nova de Foz Côa. “O quadro, alusivo ao Pentecostes, ostenta, ainda, a sua estrutura primitiva e mostra, a par da especificidades de estilo cromático, uma inesperada largueza em termos de composição. Em torno da Virgem Maria, ladeada de São Pedro, surgem mais de 28 figuras, dentro de um espaço clássico da planta do Panteão de Roma”, explicou Vítor Serrão.
No entanto, dada a sua riqueza arquitectónica, estas descobertos começam a colocar no mapa cultural nacional as regiões de Trás-os- Montes e Beirã, tendo em conta a qualidade das peças de arte sacra já inventariadas pela ATQ. Depois da inauguração do Museu de Arte Sacra de Macedo de Cavaleiros, no passado mês de Maio, onde se encontram cerca de 80 peças que resultaram do trabalho de inventariação e recuperação levado a cabo por algumas entidades, a Associação Terras Quentes trabalha, agora, na preparação de um equipamento semelhante em Vimioso.
Segundo Carlos Mendes, “depois da solicitação da diocese Bragança – Miranda para que apoiássemos a autarquia de Vimioso, começámos em Junho com a recuperação de uma peça de Algoso que irá para o Museu de Arte”.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin