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“Aeroporto vai consolidar centralidade de Bragança”

“Aeroporto vai consolidar centralidade de Bragança”
  • 7 de Outubro de 2009, 10:01

Jornal Nordeste (JN) – Após 12 anos de mandato, o que é que ainda o consegue motivar para se candidatar à Câmara?
António Jorge Nunes (AJN) – Há projectos relacionados com o QREN que requerem experiência e saber para captar o máximo de recursos financeiros possíveis e continuar a engrandecer a nossa terra na área das acessibilidades e ambiente, nomeadamente no saneamento básico e tratamento de resíduos sólidos urbanos.
Temos no nosso programa, por exemplo, a criação duma unidade de tratamento mecânico-biológico de resíduos sólidos no distrito de Bragança que envolve cerca de 20 milhões de euros. É um investimento que já está com intenção de adjudicar, após concurso público internacional.
Outro grande objectivo é o Aeroporto Regional de Bragança, um projecto que já aprovação da autoridade aeronáutica nacional e que permitirá consolidar centralidade de Bragança em termos regionais e ibéricos face à construção da A4, à articulação da A4 com a A52, à articulação de Bragança com Léon, bem como ao acesso facilitado que teremos ao comboio de Alta Velocidade em Puebla de Sanábria. Recordo que o troço entre Zamora e Lubián foi adjudicado há 2 semanas e contempla uma paragem em Puebla de Sanábria, pelo que faz todo o sentido que Bragança se prepare para completar essa plataforma logística, que articula três níveis de transporte: rodoviário, ferroviário e aéreo.

JN – Mas alguns dos opositores dizem que o Aeroporto Regional de Bragança não passa de um delírio do presidente da Câmara?
AJN – Eles falam com absoluto desconhecimento e empenho nesta matéria. O aeródromo de Bragança evoluiu desde que cheguei à Câmara, ao ponto de ser hoje considerado o melhor da rede secundária de 24 aeródromos do País. No Sistema Aeroportuário Nacional, sob a tutela do Ministério das Obras Públicas, surge como um aeródromo a investir para a categoria de aeródromo regional. No Plano Regional de Ordenamento do Território para a Região Norte também é a única infra-estrutura aeroportuária onde estão previstos investimentos, para além do Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Quem está desfasado nesta matéria são esses candidatos.

JN – Mas acha que quando a infra-estrutura existir haverá companhias dispostas a criar mais voos regulares para Bragança?
AJN – Enquanto não houve ligação por via rápida, entre Porto e Bragança, faltava tráfego. Quando evoluiu para IP4 o tráfego aumentou, o que permitiu a decisão de criar uma auto-estrada, porque o tráfego já o justifica. Uma coisa arrasta a outra e é preciso começar por algum lado.
O objectivo não é desviar tráfego do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, mas ter uma perspectiva de complementaridade em termos regionais. No Porto podem entrar turistas de avião, que fazem o Douro de barco e podem vir às zonas protegidas de Montesinho e Douro Internacional, partindo daqui para os seus destinos de avião.
Ou podem chegar a Bragança e fazer o percurso inverso, embarcando depois no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Acresce que as ligações regionais a nível europeu para zonas de comunidades de emigrantes transmontanos também não deixam de ser uma oportunidade.
Há pouco tempo visitei o aeroporto de Tarbes (Sul de França) e constatei que ali se fazia a manutenção de toda a frota média da Air France. Hoje não se faz manutenção de aeronaves de pequena e média dimensão nos aeroportos principais, porque não há espaço ou o espaço é demasiado caro. Uma plataforma logística associada ao Aeroporto Regional de Bragança pode fixar actividade económica também por esta via.

JN – Mas nesta matéria Bragança tem tido pouca sorte, pois a Aeronorte ainda não fez os 2 hangares prometidos para manutenção aeronáutica e os voos para França já não existem…
AJN – Recordo que a aviação civil e comercial, com a crise mundial, passou por muitas dificuldades e este não é o momento ideal para o investimento das empresas. No entanto, a Aeronorte saiu de Bragança por ter perdido a carreira aérea para Lisboa, mas mantém a intenção de construir um hangar em Bragança para manutenção aeronáutica e hangaragem.
Por outro lado, a Aerovip está aí e já pediu à Câmara um espaço para construir um hangar para hangaragem e manutenção aeronáutica e oferecemos-lhe as mesmas condições da Aeronorte.

JN – A auto-estrada para Léon é uma miragem ou está cada vez mais perto?
AJN – Estamos na primeira linha dessa reivindicação. Foi criada a Associação Autovia Léon-Bragança e da parte de Léon e Astúrias há um empenho fortíssimo ao nível político e das associações empresariais. Muitas vezes do nosso lado torna-se mais difícil, mas já há iniciativas concretas neta matéria. Em Espanha têm plena consciência que a sua ligação ao Norte de Portugal passa por Bragança. Sempre foi assim, mesmo com a estrada romana Braga-Astorga. Estou convicto que este corredor vai concretizar-se.
Quando, em 1998, no meu discurso de tomada de posso, salientei que Bragança não podia ficar de fora do mapa de auto-estradas, houve gente que se riu porque nem sequer o IP4 estava concluído. Mas a A4 vai ser uma realidade e a ligação até Puebla de Sanábria e a auto-estrada até Léon também o será. Ainda este ano, em período eleitoral, o primeiro-ministro espanhol, que é de Léon, comprometeu-se com esta via.
Da parte espanhola o primeiro troço, entre e Léon de La Bañeza, foi recentemente adjudicado pelo governo espanhol. Ao definirem este primeiro troço estão a dar o primeiro passo de um corredor que liga 3 auto-estradas: A52 (Madrid-Vigo), A6 (Madrid-La Corunha) e A4 (Porto-Benavente).

“Em 1998, quando salientei que Bragança não podia ficar de fora do mapa de auto-estradas, houve gente que se riu porque nem sequer o IP4 estava concluído. Mas a A4 vai ser uma realidade e a ligação até Puebla de Sanábria e a auto-estrada até Léon também o será”

JN – E quando a auto-estrada de Léon entroncar com a A52 vai afunilar numa ligação sem perfil de auto-estrada, entre Bragança e Puebla de Sanábria…
AJN – Terá que haver uma ligação com outro perfil. Isso terá que acontecer, tanto mais que com uma paragem do TGV em Puebla de Sanábria esta ideia ainda ganha mais sustentabilidade. Bragança esteve sempre ao lado dos autarcas espanhóis para que o comboio de Alta Velocidade parasse na Puebla.
Preparámos logo um dossier para fazer ver que do lado português há um universo de 150 mil pessoas do distrito de Bragança que podem utilizar essa paragem. Nunca reivindicamos uma estação, porque tínhamos a noção que não justificaria, e agora o importante é que a população aceda a esse meio de transporte.
Bragança está a 28 quilómetros dessa paragem, pelo que o IP2 terá que fazer a articulação entre a A4, a A52 e a A6. Continuamos a salientar perante o Governo que é necessária uma ligação à Puebla de Sanábria com visão de futuro. Acredito que essa evolução vai acontecer, para que não seja Portugal a cometer o erro de fazer uma estrada sem perfil compatível com o que Espanha está a projectar.

JN – Outra das suas bandeiras é a Eco-Cidade. O que é que os bragançanos podem esperar deste conceito?
AJN – No fundo corresponde a uma estratégia de sustentabilidade para o desenvolvimento do nosso concelho e região.
Temos alguns projectos-âncora como a Rede Ecocritras, uma rede de cidades ecológicas e inovadoras que envolve mais 5 cidades em Trás-os-Montes. É um projecto já aprovado com fundos comunitários e proximamente será oficializado em cerimónia pública.
O BrigantiaEcopark é outra das peças importantes no sentido de qualificar e promover a economia voltada para o cluster da energia e do ambiente, incentivando a fixação de empresas tecnologicamente avançadas, fomentar a investigação e a inovação. Entendemos que o Parque de Ciência e Tecnologia, envolvendo um pólo em Bragança e outro em Vila Real, puxa pela coesão territorial e pela oportunidade para o Interior, minorando as desigualdades que existem na região Norte.

JN – O que é que tem falhado no processo da barragem das Veiguinhas, que faz parte do seu programa eleitoral de 1997? Humberto Rocha diz que o senhor sacrificou este projecto para fazer obras que lha davam mais votos.
AJN – Bom, o candidato Humberto Rocha cometeu erros gravíssimos na sua passagem pela Câmara, que prejudicaram muito o município. Em 1989, no tempo do Eng. José Luís Pinheiro, havia um contrato programa com o Governo que envolvia as 6 fases do Alto Sabor e que contemplava todo o sistema, incluindo a barragem de Veiguinhas, que correspondia à 6ª fase. Tinha uma dotação de 439 mil contos e previa que a barragem das Veiguinhas fosse construída entre 1992-1993.
No entanto, a 26 de Agosto de 1994, já com o PS na Câmara, é pedida uma revisão do contrato-programa em que a barragem de Veiguinhas é retirada com o argumento de que não era essencial ao abastecimento de água a Bragança. Isto para desviar os 439 mil contos e suportar outras fases das obras.
Se havia agravamento de custos e deslizamento nos projectos, o que a Câmara devia ter feito era renegociar com o Governo para obter um reforço do financiamento para concluir o projecto do Alto Sabor e nunca sacrificar Veiguinhas.
Perdeu-se uma grande oportunidade, porque nesse contrato-programa a barragem já tinha todas as aprovações e nem sequer era necessário um estudo de impacte ambiental, pois já estava tudo aprovado pelo Ministério do Ambiente.

“O candidato Humberto Rocha cometeu erros gravíssimos na sua passagem pela Câmara, que prejudicaram muito o município (…) em 8 anos ele não fez obra e deixou a Câmara completamente endividada”

JN – Quando chegou à Câmara, em que fase estava ao projecto do Alto Sabor?
AJN – Quando tomámos posse, em 1998, encontrámos um processo completamente atrasado e cheio de problemas. Havia litígios com a Somague e com a Sociedade de Fomento e Construções, débitos elevadíssimos aos projectistas, que por esta razão não avançavam com os projectos.
Não cruzámos os braços e, já comigo na Câmara, apresentamos o 1º Estudo de Impacte Ambiental, porque a legislação a isso o obrigava. Foi chumbado face a um parecer negativo do ICN, na altura presidido pelo Arq. Carlos Guerra.
Em Março de 2005 foi chumbada a segunda declaração de impacte ambiental e aguarda-se, agora, o terceiro Estudo de Impacte Ambiental para a criação duma reserva de água idêntica à solução inicial. Há um projecto novo em termos de engenharia, um conceito novo de exploração, mas que garante uma reserva de água estratégica para o futuro de Bragança. Penso que desta vez vai imperar o bom senso.

JN – Mas o candidato independente diz que o senhor é que foi inoperante e até o acusa de ter trabalhado contra o executivo camarário PS, quando era chefe de Divisão de Obras.
AJN – Isso é uma tontice por uma razão: em 8 anos ele não fez obra e deixou a Câmara completamente endividada. Nessa altura, o sector operário da Câmara começava a trabalhar às 8 horas e a essa hora eu era a única pessoa que já estava a cumprimentar o pessoal e a ver a orientações para onde saíam. Dei o meu melhor a este município e, se assim não tivesse sido, como é que os cidadãos me teriam dado o seu voto de confiança em 1997? Quando tomei posse havia pessoas que diziam: “ele já tem o seu mandato feito, basta que pague as dívidas que o município tem”.
Não cruzámos os braços, fizemos o maior ciclo de investimento do município, triplicamos o seu património e reduzimos a dívida da Câmara de forma significativa.
Quem de facto não trabalhou foi a gestão socialista. A afirmação do candidato Humberto Rocha é de uma pessoa que não sabe o que está a falar, que perdeu tempo e deixou o município numa situação de desgoverno completo. Quando tomámos posse tínhamos uma cidade com 87 ruas em terra batida, sem uma biblioteca, sem um equipamento cultural, sem uma piscina aquecida, sem uma central rodoviária. A cidade estava desprotegida.

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