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“Cumprimos o que prometemos”

“Cumprimos o que prometemos”
  • 7 de Outubro de 2009, 10:04

Jornal Nordeste (JN) – Que balanço faz destes anos de mandato? Que obras considera mais emblemáticas?
Américo Tomé (AT) – Confirmando o trabalho dos anos anteriores, com uma câmara credível, com o senão do atraso do QREN, foi um ano de pleno investimento, de promoção e de valorização do nosso Concelho.
À imagem dos mandatos anteriores, foi um período dinâmico com a realização efectiva de projectos que prometemos aos mirandeses. Sendo um Concelho com poucos recursos financeiros, cumprimos em mais de 90 por cento tudo o que prometemos, concretamente: a recuperação urbanística do Rio Fresno, o Pavilhão Multiusos com mais de 600m2, Mini-auditório e a sede da Associação Comercial, instalamos o relvado sintético no campo de Futebol de Santa Luzia, recinto de Festas e Festival Intercéltico de Sendim no parque das Eiras, regeneração urbana no Centro histórico, instalação de um Centro Novas Oportunidades em Miranda do Douro, único sediado num Município em todo o Nordeste Transmontano.
Deu-se continuidade aos arranjos urbanísticos em todas as aldeias do concelho, fizeram-se transferências de capital / ano para todas as Juntas de freguesia, apoiaram-se financeiramente todos os eventos culturais do Concelho. Apoiou-se e divulgou-se a nossa língua e cultura mirandesa. Adquiriu-se o primeiro comboio eléctrico do país, dinamizador da visibilidade turística do Concelho de Miranda do Douro.

JN – O que o marcou mais pela positiva nestes anos de gestão autárquica? E pela negativa?
AT – Pela positiva além da concretização das obras atrás referidas, foi a boa gestão financeira. Este executivo projectou o concelho como ponto turístico de excelência, promoveu de igual forma a boa qualidade de vida.
Está implantada uma revolução cultural no nosso Concelho, promovida pela câmara municipal e acarinhada pelos mirandeses.
Pela negativa, aponto três factores: o atraso do QREN, que devia-se ter iniciado em 2007 e só está a iniciar-se agora, tendo atrasado todos os investimentos planeados, concretamente a Quinta Pedagógica; Uma oposição virtual que apenas se limitou a cumprir calendário, nunca dei ideias nem propostas, sendo um elemento passivo limitando-se a aprovar todas as propostas apresentadas por este executivo; a forma como o Partido Socialista e o Ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, tratou a nossa cidade, tudo fazendo para encerrar o pólo universitário, asfixiando-o financeiramente com a redução de verbas, insensíveis às realidades do interior não foram mais que um coveiro de todos os pólos universitários deste país. Aqui também uma palavra à oposição que nunca se colocou ao lado do executivo para participar e mover influências para a continuidade do ensino superior em Miranda do Douro.
 
JN – Lamenta a não concretização de algum projecto ou foi possível concretizar tudo aquilo que foi apresentado no programa eleitoral apresentado em 2005?
AT- Lamento a não concretização de dois grandes projectos para o Concelho de Miranda do Douro. Primeiro o Ministro da agricultura e dando continuidade à afronta aos agricultores deste país não se mostrou disponível para financiar o Matadouro de Miranda e, sem financiamento foi impossível a sua concretização. Poderia ter sido feito pelas três câmaras do planalto Mirandês no entanto o mesmo não foi possível chegar a acordo relativamente à sua localização, porque o Município de Miranda foi intransigente, o Matadouro terá que ser obrigatoriamente no nosso Concelho.
O segundo projecto não concretizado foi a Quinta Pedagógica de Miranda do Douro, a ser construído em terrenos cedidos pela EDP de forma a promover a nossa biodiversidade, as raças autóctones e outras espécies pelo facto de ter havido, como já mencionei, um atraso no QREN.

“A oposição que nunca se colocou ao lado do executivo para participar e mover influências para a continuidade do ensino superior em Miranda do Douro”

JN – Quais as prioridades para este mandato?
AT – A primeira prioridade são as pessoas, a sua empregabilidade e o seu bem estar e qualidade de vida, e a criação de um subsidio de 500€ a todas as empresas do nosso Concelho que a partir de agora recrutem os funcionários pela primeira vez ou que aumentem os postos de trabalho. Dando continuidade à política anterior, promover estágios profissionais a todos os jovens do Concelho e continuar a apostar na formação e educação de adultos.
Apostar na promoção e divulgação da língua e da cultura mirandesa, o comércio tradicional, das nossas tradições, gastronomia, na qualidade da água, em melhor saúde, melhor agricultura, melhorar as relações com Espanha de forma a promover o comércio transfronteiriço. Continuar a lutar para a concretização do IC5 com ligação a Espanha, não desistir do ensino superior em Miranda do Douro e continuação da realização de obras prementes, tais como os arranjos urbanísticos em todo o concelho e arranjos urbanísticos em todas as freguesias

JN – Tem algum projecto em mente no que toca à divulgação da língua mirandesa?
AT – A língua e cultura mirandesa é e será sempre o ex-líbris do património cultural de Miranda do Douro.
Queremos mantê-la viva e divulga-la. Apoiar os escritores e as edições em língua mirandesa, potencializar o Centro de Estudos António Maria Mourinho que em colaboração com as escolas concretizará cursos de iniciação e especialização na língua mirandesa e com a publicação de livros / jornais/ revistas em mirandês.
Continuar com a Semana da Cultura Mirandesa, destacando-se o festival da Canção em língua mirandesa e iniciar o processo com outras instituições com vista a uma candidatura a património mundial.

JN – Ainda é possível salvar o pólo da UTAD em Miranda do Douro?
AT – Relembro que quem concretizou o ensino superior em Miranda do Douro foi este executivo, nunca se furtando a esforços para a sua concretização. Hoje passa dias difíceis, mas continuamos determinados e empenhados e em colaboração com a UTAD, IPB e Universidades de Salamanca e Valladolid, encontraremos uma solução adequada ao ensino superior em Miranda do Douro.
 
JN – Que investimentos estão previstos para a vila de Sendim?
AT – A vila de Sendim nos últimos anos sofreu grandes melhoramentos urbanísticos, mas para o próximo mandato pretende-se fazer a remodelação da Piscina e zona envolvente, Parque de Campismo, alteração do PDM, dar continuidade ao pólo industrial, criar um centro de recolha de produtos da terra para comercialização e implementação do projecto “Vida Jovem”.
 
JN – Acredita que o IC5, por si só, vai desencravar o concelho de Miranda. Não seria útil prolongar esta via até à fronteira com Espanha?
AT – Primeiro é fundamental e prioritário a ligação do IC5 a Espanha. Claro que, por si só, o IC5 trará investimento, desenvolvimento, pessoas. Mas o Município de Miranda do Douro terá obrigatoriamente de criar dinâmicas sustentadas para fazer deste Concelho a capital do turismo transmontano, apostando no turismo de qualidade, o turismo de natureza, linguístico, gastronómico, patrimonial, paisagístico, ambiental e, acima de tudo, cultural.

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