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“PSD leva Humberto Rocha ao colo”

“PSD leva Humberto Rocha ao colo”
  • 7 de Outubro de 2009, 10:02

Jornal Nordeste (JN) – Teme que o Dr. Humberto Rocha retire votação ao PS, visto que é militante há largos anos?
Jorge Gomes (JG) – Nunca entendi, nem entendo, que alguém faça uma candidatura independente mantendo-se militante de um partido. Também não entendo que ele se apresente com uma candidatura independente contra o PS, o que é ainda mais grave. Mas também ainda não entendi nem percebi o que está por trás do Dr. Humberto Rocha. É que, pelo que se vê, ele tem mais meios do que eu tenho. A minha candidatura e a do PSD recebem verbas do Orçamento de Estado. A dele não recebe de nada nem ninguém. Tem que haver alguém com suporte financeiro por trás. Já me disseram que ele é rico e está a gastar dinheiro dele, mas a política ainda não é assim. É necessário que todos saibamos, com transparência, qual é o suporte financeiro da sua candidatura.
O Dr. Rocha recolheu as assinaturas com muita facilidade, porque teve muita gente a ajudá-lo, gente que está preocupada com a minha candidatura.

JN – Quando fala de “ajuda”, está a falar de elementos afectos à candidatura do PSD?
JG – Há contornos nesta candidatura que nos deixam surpreendidos. Não entendemos como é que numa reunião em que estão delegados de vários partidos para discutir a composição das mesas de voto, ficámos surpreendidos quando vemos que a pessoa que integra a lista do PSD é a que vai representar a lista do Dr. Rocha. Isto aconteceu em Donai, na presença dos delegados dos vários partidos. A pessoa que representava a candidatura do Dr. Rocha nessa reunião era uma pessoa que faz parte da lista do PSD.
Podem ser amigos, mas na política tudo deve ser claro e transparente. O PSD está a levá-lo ao colo e há coisas que começam a clarificar-se, porque o Dr. Rocha já fez o apelo ao voto no Eng. Jorge Nunes, concretamente num comício em Pinela.
Mas quem decidirá é o povo que há 12 anos decidiu tirar o Dr. Rocha do executivo camarário.
“Ainda não entendi o que está por trás do Dr. Humberto Rocha. O PSD está a levá-lo ao colo e há coisas que começam a clarificar-se, porque o Dr. Rocha já fez o apelo ao voto no Eng. Jorge Nunes, concretamente num comício em Pinela”

JN – Jorge Nunes acusa-o de, enquanto governador civil de Bragança, nada ter feito para resolver o problema da Loja do Cidadão e da Barragem de Veiguinhas. Quer comentar?
JG – Quando o actual presidente da Câmara diz que eu devia ter ajudado na Loja do Cidadão, eu quero-lhe dizer que tive responsabilidade na abertura de algumas Lojas do Cidadão no distrito de Bragança, nomeadamente em Vimioso e Freixo de Espada à Cinta. E não abrimos em Bragança porque temos um autarca que está virado para dentro.
A primeira hipótese que nos põe é construir a Loja do Cidadão junto à Segurança Social. A segunda proposta foi junto ao Teatro Municipal e agora põe no programa eleitoral que quer a Loja do Cidadão no centro da cidade. Ora, o presidente da Câmara andou a brincar com esta questão, porque se, na devida altura, dissesse que queria a Loja do Cidadão no centro da cidade, a Loja do Cidadão já estaria feita, só que há uma coisa que o presidente da Câmara ainda não percebeu: é que quem tem que criar as condições e as instalações para a Loja do Cidadão é a Câmara Municipal e não o Governo.

JN – Mas houve uma fase em que a autarquia anunciou que a antiga Casa do Benfica poderia ser uma hipótese, apesar deste edifício estar agora a ser reabilitado por um particular para fins habitacionais…
JG – Já estamos habituados a ver a Câmara a disponibilizar terrenos que nem são camarários! Temos mais casos. Junto ao hotel Ibis, por exemplo, há um grande placard que anuncia um novo parque em terrenos que nem são do município. A maioria dos proprietários nem tem conhecimento do que vai acontecer. Há terrenos que são do IEFP, há terrenos que são do Hospital, mas há terrenos que são particulares e não se pode anunciar um projecto que implica a ocupação de terrenos que não são nossos. O

JN – E em relação à barragem das Veiguinhas?
JG – Acho que o senhor presidente da Câmara anda com um problema que se chama água. Esse problema já existe desde que ele é presidente da Câmara e a única coisa que ele consegue fazer é chorar que quer Veiguinhas. Não criou alternativa rigorosamente nenhuma, não fez mais barragem nenhuma e não aproveitou mais recursos de água, mas continua a chorar que quer Veiguinhas. Eu acho bem que o queira, porque eu quando for presidente de Câmara também quero concluir o projecto do Alto Sabor. Não fico é 12 anos à espera sem criar alternativas nem aproveitar outros recursos.
O presidente da Câmara quer culpar alguém e acho alguma piada quando o ouço tentar responsabilizar um governador civil por não o ter ajudado a construir Veiguinhas. É ridículo. Quando eu for presidente de Câmara vai ver quanto tempo levará a fazer a barragem. Vamos ter Veiguinhas. Vou conseguir muito para Bragança porque não vou sair da porta do Governo a tentar abrir todas as portas possíveis.

“Este presidente da Câmara foi o que mais recebeu no período de António Guterres. Teve tudo o que pediu e o que quis. E foi tudo dado, na maioria dos casos, pelo actual 1º ministro, na altura ministro do Ambiente”

JN – Foi só essa a razão que o levou a candidatar-se?
JG – Decidi avançar porque a política que a Câmara está a seguir não é correcta para a nossa cidade. Não podemos confundir crescimento com desenvolvimento. Crescimento até tem havido, mas é um crescimento a bel-prazer do presidente da Câmara, que nunca foi discutido com ninguém.
Desenvolvimento é diferente e isso não aconteceu. Tínhamos um centro urbano com vida e hoje está despovoado. Só o conseguimos revitalizar com a recuperação das habitações, com a transferência de serviços camarários para o centro da cidade e com a Loja do Cidadão, e tudo isto impulsionará a instalação de empresas e o repovoamento do centro histórico. Há que integrar jovens nesta zona e não é problema nenhum oferecer estacionamento gratuito no parque da praça Camões a quem se fixar naquela zona.

JN – Acha que a Câmara deveria ter aproveitado o programa Polis para revitalizar o Centro Histórico, numa altura em que o Governo de António Guterres canalizou milhões de euros para Bragança?
JG – A sua pergunta entra em contradição com as posições do presidente da Câmara, que se queixa de não ter apoio do Governo. Ora, este presidente da Câmara foi o que mais recebeu no período de António Guterres. Teve tudo o que pediu e o que quis. E foi tudo dado, na maioria dos casos, pelo actual 1º ministro, na altura ministro do Ambiente. Só que as pessoas não são gratas e têm memória curta. A intenção de carreira política que Jorge Nunes tanto ambicionou, de ida para Lisboa para deputado correu-lhe mal, mas obrigou-o a esquecer que o Eng. Sócrates teve uma relação excelente com a Câmara de Bragança.
Bragança tem infra-estruturas lançadas no Governo PS de António Guterres que nunca mais vão embora, como a Pousada da Juventude, o Teatro Municipal, o Túnel da Av. Sá Carneiro, a Central de Camionagem, o Polis, o PROCOM e o Centro Distrital de Segurança Social. Depois houve 3 anos de Governo PSD e eu não vi um único investimento em Bragança. Nem uma casinha de cantoneiro!

JN – Uma das suas prioridades é o pagamento a 60 dias aos fornecedores. Isso quer dizer que a Câmara paga tarde aos fornecedores?
JG – Os prazos são mais largos, mas não há muita gente a sofrer com isso porque esta Câmara só compra a Bragança o que não arranja em mais lado nenhum.
O pior é que o pouco que compra em Bragança, a Câmara paga quando lhe apetece. Tenho documentos duma empresa que recebeu ao fim de 8 meses. Felizmente não era nada de volumoso, porque senão a empresa teria problemas financeiros.
É tudo uma questão de prioridade. Em vez de andar a fazer obras a torto e a direito como anda agora, a meter alcatrão à última da hora em sítios que têm problema há anos, deveria eleger como prioridade os pagamentos a 60 dias.

JN – A zona da garagem da Rodonorte também levou tapete novo, mas a estrada de Vale d´Álvaro continua esquecida. Mantém a sua posição de 2001 quanto ao estrangulamento desta via, fruto da abertura do túnel?
JG – Infelizmente tive razão. A solução do túnel da Sá Carneiro falhou e Vale d´Álvaro é uma rua abandonada, onde só passam os moradores ou quem tiver que ir a um estabelecimento comercial da zona. É fundamental criar uma solução nova e por isso é que temos no programa a reabilitação da Av. João da Cruz ao nível dos passeios e pavimento, sem fazer alterações aos seu traçado, e fazer uma saída para Vale d´Álvaro, que foi completamente isolado.
A estrada de Vale d´Álvaro continua em paralelo, e completamente irregular, provavelmente porque o senhor presidente da Câmara não me quer dar razão e admitir que o túnel não trouxe vantagem nenhuma a Bragança.
Convidava o senhor presidente da Câmara entrar com as malas na antiga estação de comboio, a comprar o bilhete e a ir até ao autocarro em dia de chuva, de preferência com duas malas para não ter uma mão livre para pegar no guarda-chuva. Faz-se uma central de camionagem e não se ouve os operadores de transportes de passageiros nem os utentes, que continuam sem entender o que ali foi feito.

“A estrada de Vale d´Álvaro continua em paralelo, e completamente irregular, provavelmente porque o senhor presidente da Câmara não me quer dar razão e admitir que o túnel não trouxe vantagem nenhuma a Bragança”

JN – Acha que o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais foi uma boa aposta?
JG – O Centro de Arte Contemporânea custou uma fortuna, tem custos elevadíssimos de manutenção e agora ganhou um prémio de arquitectura, mas os brigantinos quando se sentam à mesa para comer não é com o prémio. Nós precisamos é de criar equipamentos que tragam emprego, retorno e riqueza. O Centro de Arte Contemporânea não tem qualquer retorno nem ao nível de visitantes, porque até à data nem 10 por cento dos bragançanos foram visitá-lo e a nível turístico não tem expressão nenhuma quando comparado com o investimento que foi feito, que foi errado. É importante para o senhor presidente da Câmara dizer que tem um Centro de Arte concebido pelo arquitecto Souto de Moura. É importante para a pintora Graça Morais, porque arranjou um belíssimo armazém para pôr as suas obras e sem custos para ela, mas para os brigantinos não resolveu problema nenhum.

JN – Revê-se no projecto do Aeroporto Regional?
JG – Para quê? Eu já ouvi o presidente da Câmara anunciar que uma empresa de Braga ia montar 2 hangares para fazer reparação de aeronaves. Na altura eu era governador civil e, quando me perguntaram o que achava, disse logo: “podemos esperar todos sentados ou deitados porque isto nunca mais vem”. E assim foi. É que o Eng. Jorge Nunes “sonha-as à noite e di-las de manhã”!
Eu não me esqueço da fase em que ele dizia que íamos ter um parque de lazer com muita água e ondas artificiais, uma coisa que vinha do Canadá, mas hoje já é o Porta Norte, uma coisa completamente diferente. Ele não tem os pés bem assentes na terra.

JN – Continua crítico em relação à política social e educativa da Câmara?
JG – Ainda não vi esta Câmara recuperar uma casa para dar conforto a pessoas carenciadas, ainda não vi esta Câmara fazer habitação social, e uma habitação social integradora, não concentrada em guetos.
Ao nível da Educação temos que acabar com a maior vergonha desta Câmara que são as Actividades Extra-Curriculares. A Câmara cedeu a contratação a uma empresa e não foi capaz de gerir este processo directamente. Temos os nossos jovens a ir dar aulas para outros concelhos, porque em Bragança não conseguem ficar.
O Estado dá às Câmaras 15 euros por hora/professor e a Câmara de Bragança paga 8 euros por hora/professor. Então onde é que fica o resto do dinheiro? Na Câmara e na empresa. É um negócio a meias. Então a Câmara está a subtrair dinheiro aos nossos jovens, que o Estado estipulou como o mínimo a dar a um professor? A Câmara subtrai esse dinheiro, quando em Vila Flor os professores recebem 15 euros.

JN – Confirma que a Câmara intervém na escolha dos docentes, mesmo entregando esse processo a uma empresa?
JG – Essa é uma afirmação difícil de provar, mas fácil de constatar. De facto, houve professores das AEC que estavam numa lista para não serem colocados.

JN – Porquê?
JG – Porque se identificam com a candidatura do PS e fazem parte das nossas listas. Isto foi motivo suficiente para não serem contratados. Um desses professores ficou em primeiro lugar num concurso da Câmara de Mirandela, que contrata directamente os docentes das AEC´s sem olhar a cores partidárias. São diferenças de comportamento em Câmaras do mesmo partido. Aqui há perseguição das pessoas. Eu tive um comício onde estava lá um elemento da Câmara para ver quem eram os funcionários que lá estavam. Comigo na Câmara jamais haverá perseguição política.

“Houve professores das AEC que estavam numa lista para não serem colocados, porque se identificam com a candidatura do PS e fazem parte das nossas listas”

JN – Como pretende atrair empresas para o concelho de Bragança?
JG – Temos que dar inventivos às empresas para se instalarem no concelho e não fazer como esta Câmara que já deu o dito por não dito na venda de terrenos na zona industrial de Mós. Há empresas que pensavam que compravam o metro quadrado a determinado valor e agora foram confrontados com outros preços.
Posso revelar, até porque estou autorizado para isso, que uma empresa do grupo BES quis instalar-se em Bragança. Tiveram uma reunião com o senhor presidente da Câmara e não ficaram porque lhes pediu um balúrdio pelo terreno. Sabe o que aconteceu: foi para Vila Real e criou 350 postos de trabalho, porque a Câmara de lá cedeu-lhe um terreno de 20.000 metros quadrados a 1 euro. Estes postos de trabalho faziam falta a Bragança.

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