“Um por todos, todos por Argozelo”
este regresso à política activa?
José Sena (JS) – Olhe, primeiro porque as pessoas me pediram e eu também achei que poderia continuar a ser mais útil para a minha freguesia, para lá do que faço no dia a dia, como toda a gente sabe. Acho que nos 4 anos em que fui presidente da Junta algumas coisas ficaram por concretizar e, por saber que tenho capacidades para ajudar as pessoas da minha terra a serem mais felizes e a viverem melhor, decidi avançar.
Além disso, sou candidato porque amo a minha terra e não posso permitir que alguns responsáveis autárquicos com sede em Vimioso continuem a descriminar a nossa gente pela negativa.
Cada vez que vou à minha terra constato que há gente que vive mal, que há crianças mal alimentadas e bairros e casas sem o conforto necessário. Quando vejo isto fico mal comigo mesmo e é por isso que nossa prioridade vai ser a solidariedade.
JN – E o que pensa fazer para melhorar as condições de vida destas pessoas?
JS – Eu acho que o sector que está mais abandonado em Argozelo é realmente o das pessoas. Não é a pôr alcatrão em 4 ou 5 ruas onde passam carros, e onde ganhámos votos porque o pusemos à porta da casa das pessoas, que resolvemos o maior problema da nossa vila neste momento. Argozelo tem gente trabalhadora que depois do encerramento das minas fundou as suas empresas, tem gente que emigrou, mas há uma franja da população que ficou, que continuou a morar no bairro das minas e que actualmente precisa de ajuda. É obrigatório fazer alguma coisa por esta gente.
O alcatrão faz falta, é certo, mas mais importante do que isso é melhorar as condições das crianças que passam mal, das pessoas que não têm casa de banho e água quente, das pessoas que vivem em casas sem condições e sem dignidade.
Era isto que os políticos de Vimioso deviam ver.
Constato que a vila piorou termos sociais, pelo que vamos pôr em marcha um plano de solidariedade e de bem-estar para todos.
JN – E a Junta de Freguesia tem meios para avançar com esse plano de solidariedade e bem-estar?
JS – Eu já por lá passei e sei perfeitamente que uma Junta de Freguesia como a de Argozelo não tem meios para fazer estradas ou largos ou outras grandes obras, porque só tem uma verba de 40 mil euros por ano. Por isso ninguém me peça a mim para falar mal de quem está na Junta actualmente, ou de quem já saiu de lá, porque eu sei o quanto é difícil gerir aquela freguesia com 40 mil euros.
No entanto, sei bem o que podemos fazer. Podemos ter uma pessoa a tempo inteiro na sede da Junta, para todos terem uma fotocópia ou um documento necessário na hora e todos serem bem atendidos. Queremos também que a pessoa que estiver a tempo inteiro na Junta veja quais são as necessidades da população, ajude quem precise a ir a uma repartição pública e veja quem precisa de auxílio financeiro para pagar os medicamentos. Em Argozelo todos nos conhecemos e sabemos bem quem tem e quem não tem dinheiro e quem realmente precisa de ajuda. A pessoa que estiver na Junta não pode ser estática, mas terá que desenvolver um trabalho social para daqui a 4 anos as pessoas de Argozelo serem mais iguais.
Acredito que é possível colaborar com a instituição de apoio aos idosos da nossa terra, com a Segurança Social de Bragança e o Instituto de Emprego e Formação Profissional para alargar os cuidados aos mais velhos, através da criação de famílias de acolhimento e de alguns postos de trabalho nesta área.
JN – E medidas dirigidas às crianças e jovens?
JS – Como temos muita gente nova e uma das nossas prioridades é criar uma rede de Internet sem fios, para que as pessoas que não podem pagar a mensalidade possam ter Internet em casa. Temos um projecto totalmente elaborado para instalar uma rede Wireless com tecnologia Wi-Fi e toda a gente poderá aceder à Internet gratuitamente, sejam pobres, ricos ou remediados. Isso é uma aposta logo para o início do mandato, porque é fundamental para o desenvolvimento dos nossos jovens. Há crianças que têm o seu computador da escola, mas depois em casa não o podem utilizar, porque os pais não têm como pagar os 20 ou 30 euros de mensalidade de Internet. Com este projecto todos terão as mesmas oportunidades.
“Desde o 25 de Abril de 1974 que a Câmara de Vimioso deve muito dinheiro a Argozelo. Se gastar lá 1 milhão de euros em obras não é muito”
JN – Pelo facto de ser vila, a Câmara Municipal de Vimioso tem investido mais em Argozelo?
JS – Infelizmente não. Argozelo representa uma receita anual para o município de 3 milhões de euros, e é pena que a Câmara invista muito pouco na nossa vila. Desde o 25 de Abril de 1974 que a Câmara deve muito dinheiro a Argozelo. Se gastar lá 1 milhão de euros em obras não é muito.
Há 8 anos, o presidente da Câmara prometeu que a sua lista tinha que levar sempre uma pessoa de Argozelo em número 2 ou número 3. Desta vez, o representante de Argozelo vai em 5º! Como é que é possível?
Além disso, dos 80 empregos que a Câmara criou neste últimos 8 anos, apenas 1 pessoa é de Argozelo, apesar de ter feito muitas promessas de emprego que não cumpriu e de andar a prometer o mesmo este ano. Isto demonstra bem a atenção com que a Câmara trata a nossa terra. É isto que as pessoas têm que ver.
JN – Acha, então, que os votos da freguesia de Argozelo vão ser decisivos na eleição para a Câmara Municipal?
JS – Eu vejo a candidatura do PS e de Jorge Fernandes à Câmara com muitas hipóteses de ganhar, porque Argozelo tem muitos eleitores e tem que ajudar a desequilibrar. A nossa terra nunca teve ninguém na Câmara no lugar de vice-presidente e é esta a grande diferença entre a candidatura do PS, que leva uma pessoa de Argozelo em nº 2, e a lista do PSD, que leva uma pessoa de Argozelo em 5º lugar, só por favor e para dizer que leva.
É pena se não aproveitarmos esta oportunidade, de termos um vice-presidente de Argozelo, que ainda por cima é uma pessoa séria, que tem um bom emprego fora da política, mas que aceitou o convite do PS por amor à terra.
JN – Os seus adversários dizem que a Associação Comercial e Industrial de Argozelo é um projecto político? Quer comentar?
JS – A Associação não foi feita com objectivos políticos, mas porque Argozelo tem uma franja grande de desempregados, na sua maioria mulheres, e de gente que precisa de ganhar dinheiro. Sabendo eu que poderíamos organizar vários cursos de formação na nossa terra, desafiei um grupo de 10 empresários a fundar a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Argozelo. Foi criada a 14 de Agosto de 2009, as eleições decorreram a 21 e começou a funcionar no dia 1 de Setembro. Neste momento já tem um funcionário a tempo inteiro, que é um filho da terra, licenciado em Contabilidade e Administração pelo Instituto Politécnico de Bragança, que se encontrava desempregado. O José Henrique é uma pessoa honesta, com grande capacidade de trabalho, e veja que no final de Setembro arrancámos com um curso de Educação e Formação de Adultos de 6º e 9º ano, em parceria com um Piaget de Macedo de Cavaleiros. Agora também já temos um curso de Higiene e Segurança no Trabalho, que tem 20 alunos em regime pós-laboral, e todos de Argozelo. Tivemos sorte que até a formadora é de Argozelo e é assim que queremos trabalhar. Tudo o que possa ser em Argozelo, tem que ser para pessoas de Argozelo, sejam eles alunos ou formadores. Se não conseguirmos ocupar os lugares todos, iremos buscar alunos às freguesias vizinhas, mas enquanto pudermos será sempre para pessoas da freguesia, independentemente da cor política. As pessoas sabem que eu nunca misturo política nestas coisas.
“A Associação Comercial foi feita porque Argozelo tem uma franja grande de desempregados, na sua maioria mulheres, e de gente que precisa de ganhar dinheiro”
JN – E há perspectivas de arrancar com mais cursos?
JS – Vamo-nos candidatar a mais 4-5 cursos, em parceria com 2 empresas de formação, e pelos menos 2 serão a tempo inteiro, de Educação e Formação de Adultos. São acções que representam 300 mil euros cada uma, e é dinheiro que ficará em Argozelo.
Não tenho nada contra os cursos da Associação Comercial de Vimioso, mas se eles existem é quase à custa dos alunos de Argozelo. Ora, se essas pessoas podem frequentar esses mesmos cursos na nossa terra, deixam de gastar dinheiro em transportes, deixam de gastar dinheiro em almoços porque almoçam em casa e chegam ao fim do mês com quase 500 euros de saldo. Se tiverem que ir para Vimioso, perdem tempo e perdem muito dinheiro da bolsa de formação em refeições e viagens.
Além disso, os formadores que vêm dar aulas a Argozelo também deixam alguma coisa na terra, nos restaurantes, cafés e bombas de gasolina. Tudo isso é uma coisa boa para a freguesia.
JN – Além dos cursos de formação, a Associação Comercial tem mais algum projecto?
JS – Vamos criar uma feira inovadora na altura do aniversário de elevação a vila, diferente do que tudo o que se vê na região. Vai ser uma feira onde se poderá ver e comprar tudo o que leva uma casa, desde a telha às paredes, às janelas, aos mosaicos, às carpintarias ou louças de casa de banho, sem esquecer o artesanato. Imagine que está a fazer uma casa e nesta feira vai poder encontrar tudo o que precisa para a obra. É um sector que eu conheço bem, onde tenho bons amigos e contactos e penso que poderá ser um grande sucesso para a Argozelo já em 2010. Queremos também uma zona industrial para Argozelo e, se a candidatura do PS à Câmara for vencedora, vamos ajudar na concretizar este projecto, porque o programa de Jorge Fernandes prevê uma zona industrial conjunta para Argozelo e Carção. É fundamental para a nossa vila, que já perdeu muito por não ter uma zona oficinal.
JN – O quer mais o marcou pela negativa e pela positiva nos seus 4 anos de mandato?
JS – Houve várias obras, mas o que mais me marcou pela positiva foi nunca me ter chateado com ninguém enquanto estive na Junta. Olhei sempre as pessoas da mesma maneira, independentemente da cor política. Tentámos e fomos sempre imparciais. Foram 4 anos que se passaram sem guerras e sem alvoroços.
Pela negativa marcou-me e continua-me a marcar a falta de investimento da Câmara de Vimioso, mas também o problema da água, para o qual alertamos a autarquia e propusemos várias soluções, mas nada fizeram. É inadmissível e altamente dispendioso que para o município que Argozelo e várias aldeias do concelho estejam a ser abastecidas com água vinda de Bragança em auto-tanques dos bombeiros.