Sortegel a todo o vapor
Nessa altura, não restará um metro quadrado livre no armazém tal é a quantidade de castanhas que chega todos os dias, assim como não haverão mãos a medir para darem conta de todos os serviços. No total, serão cerca de 150 pessoas a trabalhar afincadamente para que a melhor castanha seja introduzida, em fresco ou congelada, no mercado nacional ou exportada.
Sendo uma das maiores empresas de toda a Europa no que toca à transformação deste fruto e a mais moderna do País, a Sortegel já tem verbas para adquirir cerca de oito toneladas de castanhas. “Da produção da Terra Fria Transmontana, que ronda as 30 a 40 mil toneladas, devemos transformar acima das seis mil”, explicou o administrador da Sortegel, Vasco Veiga.
Um negócio que, na óptica do responsável, poderia ser impulsionado caso os produtores se associassem ou criassem uma cooperativa. “Gostava que houvesse um circuito de recolha. Se, por freguesia, existisse uma associação de concentração de castanhas, era muito mais fácil para a Sortegel e os agricultores ganhavam mais”, sublinhou Vasco Veiga.
De forma a combater a sazonalidade da empresa, os responsáveis prevêem avançar com a introdução de novos produtos nos mercados, como cremes e purés. “Nós fornecemos a castanha e eles transformam, para que o fruto tenha mais valor e que permitirá que trabalhemos durante todo o ano”, adiantou o administrador da Sortegel.
Sortegel prevê apostar na
criação de novos produtos
Mas a aposta da empresa passa, também, pela transformação de frutos regionais, como a amora silvestre, figos, cerejas e mirtilo, entre muitos outros. “Há produtos que se estragam porque não são aproveitados. Assim, basta que nós os concentremos aqui, os congelemos e levemos para as fábricas de sumos, por exemplo, que serão rentabilizados”, salientou.
De modo a terminar com os rumores que davam conta da venda da Sortegel, Vasco Veiga revelou que, nos últimos três anos, foram investidos cerca de oito milhões de euros na modernização da empresa e na criação de novas estruturas. “Esta aposta visa aumentar a capacidade da fábrica, de modo a obter maior rentabilidade e mais partido da castanha”, salientou.
Assim, se há oito anos só se laborava uma tonelada deste fruto por hora, actualmente a Sortegel trabalha cinco toneladas. Uma mudança que “permite que o produto não se estrague, pois é transformado de imediato, fazendo com que diminuísse o tempo que espera para ser trabalhada”, acrescentou.
Outra das novidades é a instalação de caldeiras que funcionam a partir da casca da própria castanha, substituindo os antigos equipamentos a gás.
A Sortegel apostou, ainda, na criação de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, orçada em 500 mil euros.