13 partos nas estradas do distrito
Nos dados, avançados pelas 14 corporações da região, são os bombeiros de Carrazeda de Ansiães e Mirandela aqueles que assistiram um maior número de partos, registando-se três nascimentos por cada corporação.
Os soldados da paz encaram este tipo de assistência com naturalidade, afirmado que, em alguns casos, as tripulações de ambulâncias de socorro estão preparadas para o efeito. Por seu lado, os bombeiros “parteiros” contactados pelo Jornal NORDESTE descrevem este tipo de missão como “única e inesquecível”, sem nunca esquecer o “empenho e a orientação” das equipas da Viatura Médica de Emergência de Reanimação (VMER), que, na maioria dos casos, presta assistência no decurso da viagem até a maternidade da Unidade Hospitalar de Bragança, a única no distrito.
Mário Pinto e Ricardo Canhoto, dois homens dos quadros dos Bombeiros Voluntários de Mogadouro, são testemunho do nascimento da pequena Beatriz Rodrigues, actualmente com cinco meses de vida.
“É o segundo parto a que dou assistência. No primeiro estava um pouco nervoso, visto que a preparação era pouca. Foi mesmo a parturiente, que já tem mais filhos, que me orientou. No caso da Beatriz, a situação foi mais fácil. Para além de haver melhores condições e apoio médico tenho formação nesta área”, conta Mário Pinto.
Director clínico do Centro Hospitalar do Nordeste aconselha as grávidas a deslocarem-se ao hospital com mais antecedência
O nascimento da criança aconteceu três horas após a progenitora ter entrado em trabalho de parto. Tudo aconteceu a meio caminho entre Mogadouro e Vimioso, mesmo em cima da ponte que separa os dois concelhos. Foi aqui que os dois bombeiros e o pessoal médico da VMER ajudaram a bebé a vir ao mundo.
“ Foi um momento único. Percorri vários quilómetros até à maternidade com a minha filha encostada ao peito”, descreve Sofia Rodrigues, a mãe de Beatriz.
Normalmente, todos os corpos de bombeiros têm tripulações preparadas e material de emergência para prestar assistência a partos.
Para o director clínico do Centro Hospitalar do Nordeste, Sampaio da Veiga, a explicação para estes casos é mais de carácter social que técnico.
“ Os médicos informam as parturientes da data provável do parto. No entanto, é sabido que numa mulher que tenha tido mais que um filho, o desencadeamento do parto e o próprio parto pode acontecer de uma forma mais rápida. Nestes casos, as mulheres têm menos ansiedade e podem atrasar a ida à maternidade, chamando os bombeiros e aguardando pela última hora ”, explicou o responsável.
Segundo o clínico, “os partos que ocorrem em ambulâncias são felizes, mas tenta-se evitar que isso aconteça”.
No entanto, Sampaio da Veiga deixa um alerta a todas as grávidas. “ É preferível ir mais cedo para a maternidade, do que esperar pelo últimos dos tempos para dar à luz. O conselho é dirigido essencialmente para as mulheres que tenham tido mais que um filho”, esclarece o responsável.