Junta de Carção mais afastada dos cidadãos
Até à data, a autarquia funcionava no edifício da Casa do Povo, situado numa zona central da aldeia.
No entanto, no passado dia 17 assistiu-se à mudança do mobiliário e equipamentos informáticos, uma situação que não foi bem aceite pela população, nem pelo presidente eleito pelo PS, que acusa os sociais-democratas de agirem à margem da lei. “É uma situação ilegal, porque a alteração teria que ser proposta e aprovada em Assembleia de Freguesia”, denuncia António Santos.
O autarca afirma que as instalações no Loteamento de S. Roque não têm condições para prestar apoio à população e realça que o primeiro acto depois de tomar posse é contactar a direcção da Casa do Povo para que a sede da Junta regresse às instalações onde funcionou vários anos.
António Santos afirma que a Junta inaugurou o edifício em S. Roque por volta de 1990, onde se manteve cerca de 5 anos, tendo sido transferida, posteriormente, para o edifício da Casa do Povo. “Voltou para S. Roque durante as obras na Casa do Povo, mas foi por pouco tempo. Depois funcionou sempre na Casa do Povo, porque tem melhores condições e está mais perto da população”, salienta o presidente eleito.
Marcolino Fernandes afirma que faz questão de deixar a sede da Junta onde a encontrou quando tomou posse
O socialista considera que o facto do executivo que perdeu as eleições ter tomado esta atitude em pleno período de gestão corrente é mais do que uma represália política. “É uma represália sobre a população, porque as pessoas têm dificuldade em se deslocar lá. Agora, espero que impere o bom senso e que a Junta regresse à Casa do Povo”, remata António Santos.
Contactado pelo Jornal NORDESTE, o presidente derrotado, Marcolino Fernandes, justificou a saída com o facto da sede da Junta estar alojada na sede de uma associação com direcção independente. “Onde tomei posse foi na sede da Junta. Por isso, achei que deveria deixar as coisas onde as encontrei”, sublinha o social-democrata.
Já o presidente da direcção da Casa do Povo de Carção, Serafim João, explica que a Junta decidiu sair depois de serem eleitos outros representantes dado que estava alojada nas instalações ao abrigo de um protocolo celebrado anteriormente. “Nós somos uma associação, pelo que estabelecemos um protocolo com a autarquia em que nós disponibilizámos o espaço, mas, em contrapartida, a Junta dava-nos um subsídio de 5 mil euros por ano”, salientou o responsável.
Serafim João afirma que cabe, agora, ao executivo que tomar posse decidir se quer voltar para as instalações da Casa do Povo e cumprir o protocolo. “As retaliações são feitas por eles. Nunca foi nossa intenção criar obstáculos às pessoas”, assevera Serafim João.