A aldeia que expulsou os cobradores espanhóis
O nome da freguesia aparece envolto em lendas e estórias que foram passando de geração em geração até aos dias de hoje e que revelam que os primeiros habitantes da localidade terão sido os castelhanos.
Contudo, há quem avance que, nos séculos XV e XVI, a localidade terá ficado completamente deserta e abandonada sem que se saibam as causas. Um despovoamento que se terá verificado, mesmo, algumas vezes, devido a invasões.
Depois de desabitada, responsáveis da vizinha localidade de Urros, também no concelho de Torre de Moncorvo, doaram as terras de Peredo dos Castelhanos a Gomes de Castro que as decidiu arrendar a oito famílias espanholas. Na sequência desta lenda, ainda hoje se conta que os castelhanos vinham receber os impostos dos habitantes da freguesia por um caminho de montanha. Contudo, e aproveitando a ausência dos homens da aldeia que estavam a trabalhar nos campos, o padre e as mulheres expulsaram os cobradores espanhóis com recurso a ferramentas, como pás de forno, vassouras e varapaus.
Habitantes queixam-se da falta de rentabilidade da produção de amêndoa
Outrora, uma das maiores produtoras do Alto Douro, Peredo dos Castelhanos é, hoje, uma amostra e recordação daquilo que foi em tempos. Se, há cerca de meio século, se vendia cada quilo por um conto (5 euros), agora custa, apenas, dois euros. “Não compensa produzir amêndoa, porque o preço caiu muito”, adianta Maria Araújo, habitante da freguesia.
Com a desvalorização do produto, muitos foram os agricultores que abandonaram o negócio e, pouco a pouco, os amendoais.
“Com esta situação, as pessoas preferem deixar os frutos na amendoeira”, sublinhou a residente.
Actualmente, a parte dos habitantes dedica-se à produção vitivinícola, que vende a cooperativas, e olivícola, sendo que Peredo dos Castelhanos é conhecida pela qualidade da azeitona de conserva, cultivada na região há séculos.