E quando os cogumelos são perigosos?
Neste leque registam-se seis mortes por intoxicação provocadas por estes fungos, bem como vários transplantes de órgãos internos, como é caso do fígado.
Acresce que os números podem ser mais dilatados, pois há casos que se encontram em arquivos hospitalares de difícil acesso aos investigadores.
As cores, texturas e aromas são, por vezes, enganadoras, o que confunde os apanhadores, principalmente os menos conhecedores deste tipo de fungo, ou pessoas com mais experiência e excesso de confiança.
Apesar de haver alguns manuais que ajudam na identificação dos cogumelos, há que ter sempre em conta que se trata de “comida de risco”. “Não se pode dizer que a morte provocada pela ingestão de cogumelos seja comum, porém, ela acontece”, refere Inês Costa, que está a elaborar um trabalho sobre esta matéria, no âmbito da licenciatura em Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).
É possível combater intoxicação nas primeiras 6 horas após ingestão dos cogumelos
Nos casos identificados foi possível concluir que um dos cogumelos mais perigosos é o conhecido “Amanita phalloides”, que a Medicina classifica como “hepatoxico”. Este é um dos fungos que pode ser mais facilmente confundido, devido às suas cores.
De qualquer modo, é possível atacar o problema logo nas primeiras seis horas após a ingestão dos fungos, pois há produtos que funcionam como antídoto, dos quais se destacam a penicilina e a silibinina.
“Para haver sucesso no tratamento destes casos é importante avaliar, logo à entrada das unidades de saúde, quais os factores que levam a concluir que se trata de um caso com bom ou mau diagnóstico ”, conclui a estudante de Medicina.
Inês Costa deixa um conselho a todos os amantes destas iguarias, tão em voga nesta época do ano: “Os cogumelos são excelentes a nível gastronómico, mas há que ponderar muito bem o que se está colher e o que se vai comer”, afiança.