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Futebol Infantil: que modelo de competição para os escalões de Escolas e Infantis? (II)

Futebol Infantil: que modelo de competição para os escalões de Escolas e Infantis? (II)
  • 10 de Novembro de 2009, 12:25

O modelo “todos x todos” é mais justo que o modelo aplicado em épocas transactas. Peca, em minha opinião, por não garantir um relativo equilíbrio entre as equipas participantes e por poder ter um número excessivo de jornadas (32, na presente época). Jogos todos os fins de semana (de 15 de Novembro a 30 de Junho, como acontece na corrente época) são testes que se colocam à resistência, à saturação e à disponibilidade dos pais dos atletas e dos dirigentes desportivos. Espero que o desgaste, a desmotivação e a falta de tempo não levem os menos resistentes à desistência.
Tomando como linhas orientadoras os três princípios em cima apresentados e partindo do pressuposto que há, no distrito de Bragança, 12 a 16 equipas no escalão de escolas e um número sensivelmente igual no escalão de infantis, não defendemos, para o distrito de Bragança, o modelo “todos x todos”, mas sim um quadro competitivo organizado por fases (duas) e por séries (duas a quatro na 1ª fase e apenas duas na segunda) (tabela 2).
Na 1ª fase, por razões financeiras e desconhecimento do valor competitivo das equipas participantes, estas deverão ser distribuídas por duas, três ou quatro séries em função dos critérios “proximidade” e número total de jogos que se queiram realizar (mais séries – menos jogos; menos séries – mais jogos).
Na 2ª fase, para assegurar equilíbrio e competitividade, as duas séries serão formadas em função do critério “classificação” obtida na 1ª fase (a série A seria formada por 50% das equipas melhor classificadas em cada série da 1ª fase e a série B integraria as restantes equipas).
Este modelo competitivo assegurar-nos-ia:
a) Épocas desportivas longas (10 meses: de Setembro a Junho/) e motivantes (as crianças/atletas treinariam com gosto e motivação porque poderiam participar num número adequado de jogos (não menos de 16 nem mais de 26) e, consequentemente, muito tempo potencial de aprendizagem e desenvolvimento.
b) Equidade: todas as equipas jogariam o mesmo número de jogos, proporcionando assim a todas idênticas oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento.
c) Equilíbrio entre as equipas em confronto na segunda fase (a mais importante e longa).
Este é, em minha opinião, o modelo de quadro competitivo que melhor serve a formação desportiva das crianças e jovens futebolistas do distrito. Mas não reúne, ainda, o consenso da generalidade dos dirigentes desportivos. Uns porque estão demasiado agarrados ao modelo de competição dos adultos (o todos x todos). Outros porque tudo pretendem investir nas equipas seniores, mesmo os subsídios que recebem das Câmaras Municipais para a formação. A estes gostaria de recordar que sem formação de qualidade em todos os clubes do distrito nos escalões iniciais (minis, pré-escolas, escolas e infantis) dificilmente verão jogar nas suas equipas atletas seniores de qualidade.

João Quina – Docente da Escola Superior de Educação de Bragança;Director Pedagógico da Escola de Futebol Crescer

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