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Má gestão pode comprometer futuro da caça

Má gestão pode comprometer futuro da caça
  • 8 de Dezembro de 2009, 10:55

Considerando que as colectividades do Nordeste Transmontano não estão a fazer uma gestão adequada da caça, o presidente da Federação das Associações de Caçadores da 1ª Região Cinegética (FACIRC), Raul Fernandes, defende a aproximação de associações para desenvolverem um trabalho conjunto.
“Quanto maior é a zona de caça mais fácil é a gestão. Por isso, temos que deixar a nossa capelinha e começar a fazer aproximações, mantendo cada uma a sua identidade. Temos que saber gerir conjuntamente um determinado espaço”, realça o responsável.
Na óptica do dirigente, é preciso caminhar para os planos globais de gestão das zonas de caça, sob pena de se comprometerem algumas espécies selvagens que povoam o Nordeste Transmontano.
“Nós estamos a trabalhar numa mesma população. Quando exploro os javalis na minha zona de caça, não estou a caçar só os que estão na minha zona, mas todos os animais que se movimentam naquela área. Se eu exerço uma pressão forte e o vizinho do lado faz o mesmo, estamos a dizimar um potencial que se pode manter se o soubermos gerir”, explica Raul Fernandes.

Distrito de Bragança à frente do distrito de Vila Real no que toca ao ordenamento cinegético

O responsável diz mesmo que, por mais que custe aos caçadores, é preferível parar de caçar uma determinada espécie para manter a sua continuidade do que continuar até ao ponto de já não haver solução. “Para termos caça no futuro é preciso fazer uma melhor gestão, que passará por equilibrar a definição do número de caça para determinada espécie com aquilo que temos no terreno. Antes de abrirmos a caça devemos saber o que realmente temos e, se for caso disso, sabermos parar”, alerta o dirigente.
A abertura das colectividades que gerem a caça no distrito é, por isso, essencial para desenvolver o sector. “A maioria das associações estão muito fechadas em si mesmas. Por exemplo, a Associação de Caça de Grijó e Vilar do Monte é um bom exemplo, pois temos um campo de treino aberto a toda a comunidade”, enfatiza Raul Fernandes.
Raul Fernandes afirma que a região tem um forte potencial cinegético, que deve ser gerido de forma a contribuir para o desenvolvimento económico local.
“Nós temos um vasto território, a única coisa que nós não temos é uma gestão eficaz dos nossos recursos”, lamenta o dirigente.
Para contrariar esta situação, o responsável defende a criação de condições favoráveis à caça, nomeadamente a aposta na recuperação de habitats, no conhecimento das espécies e na formação das pessoas que estão à frente das zonas de caça.
Fazendo uma análise dos números referentes ao ordenamento cinegético verificamos que a área ordenada no distrito de Bragança é superior à do distrito de Vila Real, tal como acontece com o número de zonas de caça. (ver quadro)

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