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“Teríamos um bom Governo de maçons”

“Teríamos um bom Governo de maçons”
  • 8 de Dezembro de 2009, 12:24

2. @ Se todos os nossos políticos fossem maçons, o estado de coisas em Portugal seria outro, bem como a qualidade das nossas opções políticas?
R: Não tenho qualquer certeza dessa afirmação. Os maçons têm uma inquietude com o Conhecimento. Um Conhecimento que se transcende, direccionado para além das simples aparências físicas e mentais, requisito essencial e prévio para um trabalho a favor do desenvolvimento social positivo. Se o maçon aplicar este pensamento que a Escola Maçónica preconiza está à altura das decisões da res publica de excelente qualidade.

3. @ A Maçonaria conheceu diversas fases de desenvolvimento?
R: Sim. No Século das Luzes a sociedade europeia conheceu o movimento pós-renascentista que fazia da livre expressão a cultura e a liberdade intelectual e moral. No século XIX e boa parte do século XX na defesa dos princípios democráticos da tolerância, igualdade e solidariedade e a sua introdução nas legislações dos Estados. Como dizemos, Nós, os Maçons, a Maçonaria é uma ascese da Humanidade à Beleza, à Força e à Sabedoria universais.

4. @ O que identifica hoje a Maçonaria?
R: O Homem. É essencial que o Homem seja identificado como o Ser, com o Absoluto.

5. @ Deus?
R: Cada Maçon é livre de interpretar esse conceito, mas dá sentido à nossa Tradição e à metodologia ritualizada, cujo fim é a Ordem universal na qual o Ser se manifesta.

6. @ Uma via pessoal?
R: Sim. (sorriso) Essa é a autêntica natureza do maçonismo. A evolução espiritual e pessoal capaz de produzir a união do coração e do pensamento, da acção, colocando-a ao serviço da construção humana, sem dogmatismo e em fraternidade. Teríamos assim um bom Governo de maçons ao serviço da República. Ou de qualquer Monarquia.

7. @ Porquê tanto secretismo à volta da Maçonaria?
R: Há diversos tipos de segredos na Ordem Maçónica. Mas para Nós, os Maçons, é relevante o segredo solene da iniciação e, acima de tudo, não se revelar o nome dos irmãos, bem como os pormenores maçónicos. Os Estados ditatoriais e comunistas assassinaram muitos maçons. Temos de os proteger desses perigos se esse modelo regressar.

8. @ A Maçonaria Portuguesa tem uma história ao nível da relatada por Dan Brown?
R: A Maçonaria portuguesa tem histórias e enredos que na minha opinião suplantam a História contada por Dan Brown. Só que no nosso caso os acontecimentos são ao serviço da comunidade e vividos com intensidade e realismo. E se ler os livros publicados pelo escritor Braga Gonçalves encontrará outro tipo de histórias mais interessantes que a de Dan Brow.

9. @ A Maçonaria deve permanecer elitista ou abrir as suas portas ao cidadão comum?
R: A Maçonaria está aberta a todas as pessoas livres e de bons costumes. Naturalmente atraiu indivíduos que se caracterizaram pelas suas inquietudes científico-filosóficas e que actuaram em diversos meios sociais ao longo dos três séculos da existência da Ordem. Estes homens, tal como fazemos hoje, ultrapassaram a dimensão humanista e a vocação que foi realizada com paixão.

10. @ Que é que gosta de ouvir na rádio e de ver em sua casa?
R: Normalmente aprecio as notícias sobre os acontecimentos diários. Raramente vejo televisão e dedico parte do meu esforço à minha profissão.

11. @ Viagem de sonho?
R: Já fiz todas as viagens de sonho que um comum cidadão deseja. Haverá um lugar ou outro que não conheço. Mas as viagens de sonho estão todas realizadas e há muitos anos.

12. @ Quais os três valores mais defendidos pela Grande Loja Nacional Portuguesa?
R: A nível interno conte com a Lealdade, Coragem e Responsabilidade. A nível externo a Aparência e Realidade. Para um profano (quem ainda não foi admitido na Maçonaria) a realidade maçónica deve ser, tal como para um Maçon, aquilo que parece ser. Estes valores são a base da Maçonaria Tradicional e Regular em Portugal. Por isso esforço-me por desmistificar a Maçonaria.

13. @ O que considera ser inaceitável num ser humano?
R: O retrocesso ou a não aplicabilidade dos valores universais que comungamos e que em comum desejamos.

14. @ Se pudesse passar uma noite com uma personalidade mundial, em quem recairia a sua escolha?
R: Eu cruzo-me com diversas personalidades. Por diversos “corredores” e em diversos locais. Viajo frequentemente e, felizmente, sou convidado a estar presente em diversas cerimónias oficiais e particulares. Não tenho qualquer preferência por qualquer personalidade. Mas o meu desejo mais íntimo é estar com aqueles que eu amo. E o melhor lugar do mundo é junto daqueles que apreciam a minha companhia. Ou tenham interesse em saber o que eu penso sobre Maçonaria. Como por exemplo estar aqui consigo.

15. @ Se pudesse pedir 3 desejos, quais seriam?
R: Que o homem se libertasse da miséria humana e da fome. Fazê-lo sorrir de felicidade e de bem-estar.

16. @ Três características obrigatórias numa mulher?
R: Nunca consegui ver a mulher como um alvo desejável pela via da sexualidade. Vejo as mulheres como seres humanos atenciosos, optimistas, criativos e com uma particularidade de verem e prestarem atenção a situações de pormenor que o homem não visualiza.

17. @ Se a vida selvagem fosse um filme, que animal interpretaria?
R: O animal com o comportamento mais parecido com o meu talvez seja o rinoceronte. Estranho, não é?! É um animal blindado, mas normalmente calmo – é um herbívoro. Não tem predadores naturais quando o pretendem atacar. Às vezes sofre ataques de fúria, como os que se vê na TV, destruindo jipes. Às vezes atacam árvores de forma violenta. É um “tanque de guerra” com fins pacíficos.
 
18. @ Livro de cabeceira?
R: Neste momento tenho três livros de cabeceira. Livros comuns: O Exército Perdido de Manfredi; D. Manuel do Cenáculo, Instruções Pastorais, Projectos de Bibliotecas e Diário e o volume VII da História da Filosofia de Nicola Abbagnano. Para os momentos de maior intimidade com o pensamento.

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