Grijó festeja o Natal com sardinha assada
A tradição cumpre-se todos os anos. Pelas 8 da manhã, o gaiteiro, acompanhado pelos meirinhos, representados pelo rei e pelo bispo, e pelos caretos, dão a volta ao povo a pedir a esmola para a missa.
“Quando a festa é feita por mordomos, costumam fazer o peditório antes para comprarem as sardinhas e organizarem todo o repasto. Quando há promessa de uma ou mais pessoas, fazem sem pedirem nada a ninguém”, conta a presidente da Junta de Freguesia de Grijó de Parada, Helena Branco.
Depois da ronda pela povoação, realiza-se a missa em honra de Santo Estêvão. No final da eucaristia, segue-se a procissão até ao local do convívio, onde o padre benze o pão e as sardinhas. “ De seguida, regressa-se com o santo à igreja e as pessoas voltam para perto da mesa e para a fogueira”, conta a autarca.
Entre os meandros da tradição destaque, ainda, para o facto de todas as pessoas terem direito à esmola para a família. “Trazem já sacos de casa para levarem 4 sardinhas para cada pessoa. Leva também uma carola de pão e um prato de tremoços e outro de mamotas por família”, explica Helena Branco. Os mais antigos lembram que, antigamente, as sardinhas eram só para o povo. “Fazia-se outra mesa, onde se sentava o padre, os meirinhos, o presidente e a pessoa mais velha da aldeia. Esses almoçavam a ceia da consoada, como bacalhau, polvo, batata, raba e couve”, recorda Isaura Pires, de 83 anos.
Tradição da galhofa foi-se perdendo com o passar dos anos, restando, apenas, a corrida da rosca no dia 27 de Dezembro
A tarde de convívio também é animada pelos caretos, que aproveitam a ocasião para reunirem algumas moedas. “Andam com uma maçã na mão, chegam-se ao pé das pessoas, chocalham, e já todos sabem o que é que querem”, realça a autarca.
A vontade das pessoas é que dita o fim da festa à volta da fogueira. Até porque, entre o dia 24 de Dezembro e o dia 1 de Janeiro há baile na aldeia todas as noites.
No dia 27, o gaiteiro, acompanhado pelos mascarados e pelos mordomos, voltam a sair à rua para saudar a população. Em cada casa recebem bolo-rei e outra doçaria da quadra, que, da parte da tarde, é distribuída pelos vencedores das corridas.
“Antes as pessoas faziam a rosca (uma espécie de pão com um buraco no meio) para darem neste dia, mas agora já dão outro tipo de coisas, porque já não há quem coza a rosca”, salienta a presidente da Junta.
Antigamente, os moldes de organização da festa também eram diferentes e o dia 27 de Dezembro culminava com a galhofa, uma tradição que se foi perdendo ao longo dos tempos, o que leva alguns “amantes” da modalidade a deslocarem-se à aldeia vizinha de Parada.
“De acordo com a tradição, os mordomos entregavam a festa no dia 26 à noite aos seguintes, que eram os responsáveis pela festa do dia 27 e do dia 26 do ano seguinte. Agora quem faz no dia 26 também faz o dia 27 e os mordomos só mudam de ano para ano”, salienta Helena Branco.
Para fazer a indumentária para a Festa do Santo Estêvão, há dois artesãos na aldeia, que são os responsáveis pela criação das máscaras em madeira e pelos fatos coloridos que trajam os caretos.