GEADA quer “defesa” do Mirandês
Esta é a ideia defendida pelos linguistas e estudiosos da” lhéngua” durante a segunda edição do GEADA – Festival de Cultura Mirandesa que reuniu dezenas de participantes em Miranda do Douro.
“É preciso passar da teoria à prática para que o mirandês deixe de ser uma língua estudada e divulgada apenas por voluntários”, defendeu o presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Artur Nunes, durante a conferência “ Falar ye Bibir” integrada no décimo aniversário de oficialização do mirandês.
O autarca defende, ainda, que esta língua deverá ter um estatuto cultural, de educação ou científico, para que, assim, possam haver novas parcerias.
Ao longo de três dias, o GEADA ofereceu vivências únicas aos participantes e nem o frio gélido que assolou o Planalto Mirandês afastaram os curiosos. As actividades foram muitas, sempre ao som dos instrumentos mais tradicionais, como gaitas-de-foles, bombo e caixa, que acompanharam as seculares danças dos paus ou uma simples tertúlia.
Organização promete melhorar a iniciativa, mas o GEADA nunca será um festival massificado
“Pouco conhecia das tradições da região de Miranda do Douro e, por isso, aceitei o convite de duas amigas e vim conhecer uma nova realidade cultural. Tudo isto é diferente daquilo a que estou habituada, sendo que, em termos culturais, a dança dos Pauliteiros foi o que mais em marcou”, disse Sofia Barcelos, uma participante vinda de Lisboa.
Por seu lado, Sílvia Pereira, que se deslocou de Tomar, adiantou: “a cultura mirandesa e, dada a minha formação em Antropologia, sempre me despertou curiosidade. O ambiente musical proporcionado pelos gaiteiros foi único, tendo sido uma festa onde se conjugou um rol de tradições que tornaram o ambiente rico e místico ao mesmo tempo”.
Já a organização promete melhorar a iniciativa, enquanto esclareceu que não se pretende fazer do GEADA um festival massificado.
“Tentamos criar um ambiente familiar, para que se possam estabelecer laços de amizade com pessoas que saibam para o que vêm. A divulgação cultural é o principal objectivo do festival”, justificou Ivo Mendes, da organização.