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Negligência médica fica impune

Negligência médica fica impune
  • 19 de Janeiro de 2010, 10:07

Durante a leitura da sentença, o juiz anunciou que foi provado que houve erro e negligência das médicas durante o acompanhamento de uma grávida que perdeu o feto, mas concluiu que a lei não possibilita a condenação, pois a queixa foi interposta fora do prazo. “Era possível condenar se a queixa tivesse dado entrada nos seis meses seguintes à prática dos factos”, justificou o magistrado.
O tribunal provou que as obstetras, Adelaide Palhau e Joaquina Branco, “violaram as leis da profissão (leje artis)”, visto que não tiveram o cuidado de verificar a falsidade da imagem da ecografia, nem a mandaram repetir. Aliás, segundo o tribunal apurou, “ o exame desapareceu do hospital inexplicavelmente”.
Os factos remontam a Outubro de 2002, altura em que Júlia Luís, que estaria grávida de 13 semanas, efectuou uma ecografia no Hospital de Bragança. Durante a leitura do exame, a obstetra Joaquina Branco identificou uma gravidez anembriónica (saco sem embrião), enviando a utente para a médica Adelaide Palhau, que procedeu ao esvaziamento uterino, através de aspiração. Esta obstetra terá atingido o feto durante a intervenção.

Júlia Luís pondera, agora, se vai avançar com um processo para pedir uma indemnização ao Hospital de Bragança

Depois de uma longa batalha para responsabilizar as duas obstetras, Júlia Luís pondera avançar, agora, para o Tribunal Administrativo de Mirandela, com uma queixa contra o Hospital de Bragança, para reclamar a indemnização pelos danos causados pelas duas profissionais. Aliás, esta foi a alternativa deixada pelo juiz à acusação, depois de ter absolvido as duas médicas.
“Hoje talvez comece uma nova etapa para mim. Eu estou em paz, porque se provou que eu tinha razão. Não há nada a fazer é certo, mas não era monetariamente, porque para mim não há dinheiro nenhum que pague aquilo que eu sofri e a perda que eu tive”, desabafou Júlia Luís.
A queixosa afirmou, mesmo, que sabia que o caso poderia ter este desfecho. “De certa forma já esperava que isto pudesse acontecer. No mesmo mês que isto aconteceu entreguei as coisas a um advogado para meter o processo, mas dei com um advogado que era mau carácter, paguei-lhe 200 contos, na altura, e ele não fez nada. Ainda apresentei uma queixa contra ele, mas para cúmulo morreu e não há nada a fazer”, lamenta Júlia Luís.

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