Jovens coragem
Até aqui nada de novo, não fosse o facto dos dois primos integrarem uma das muitas equipas de voluntários que ajudam no socorro às vítimas dos sismos que assolaram o Haiti na última semana.
“Estávamos de férias em Portugal e, assim que chegámos à República Dominicana, reuniu-se um grupo de 10 estudantes. A reitoria da Universidade disponibilizou-nos batas cirúrgicas e fomos para Jamani, uma cidade fronteiriça. Tudo aconteceu de forma muita rápida e quando entrámos no Haiti deparámo-nos com um cenário de horror e destruição”, descreveu a estudante.
Quando esta equipa de 10 elementos chegou, não havia praticamente médicos na região, apenas o caos, destruição e milhares de feridos e mortos soterrados por entre os escombros.
“Havia crianças que choravam, órfãs e perdidas por entre os escombros. Havia pessoas com os membros completamente dilacerados e outras famintas, sem ter de comer, nem de beber. A morte estava omnipresente e o seu bafo nauseabundo perseguia-nos por todo o lado por todo”, explicou Mara Rocha.
Por outro lado, João Rocha Palas garante que são precisas muitas mãos para fazer face a tanta miséria e sofrimento. “Encontrei um cenário típico de um filme de guerra. Fiquei impressionado. Apesar de tudo foi uma experiência única do ponto de vista profissional,” descreve o futuro médico.
Depois da primeira experiência, os dois primos regressaram ao Haiti na passada sexta feira, sempre com a mesma vontade de ajudar quem mais precisa.