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Oportunidades em tempo de crise

Oportunidades em tempo de crise
  • 9 de Fevereiro de 2010, 10:06

Casa de leilões, solicitadores de execução ou lojas de penhores são, apenas, alguns ramos de negócio que ganham dimensão, quando a maior parte está a perder mercado.
Cristina Moreiras, solicitadora de execução da sociedade Moreiras & Associados, R.L., instalada em Bragança, admite que a crise tem impulsionado este negócio.
“As pessoas faltam, cada vez mais, aos seus compromissos, originando mais dívidas que obrigam a recorrer à execução”, adianta a responsável.
Contudo, sublinha que, em muitos casos, é difícil reaver os valores em falta ou recuperar débitos, pelo que muitas pessoas optam por não avançar com processos judiciais.
“Alguns credores não intentam acções para receberem, porque as taxas e despesas a pagar são altas e nem sempre se consegue receber porque o devedor não tem bens em seu nome”, explica Cristina Moreiras.
A solicitadora salienta que quase todos os processos são difíceis e penosos, sobretudo aqueles que resultam “directamente” da crise e dificuldades económicas das famílias portuguesas.
“Os casos hipotecários, em que o devedor aderiu ao crédito habitação e, por exemplo, passados alguns anos, não consegue suportar a prestação, o que origina execução e, muitas vezes, as famílias acabam por perder a sua casa”, recorda.
No entanto, Cristina Moreiras admite que quase todos os processos em que intervém a têm marcado, de uma maneira ou de outra.
“São casos muito diferentes, como remover os bens móveis da casa de uma família e ver o seu desespero, ou deparar-me com a resistência por parte do executado, sendo necessário recorrer ao auxílio da força pública”, justificou.
Recorde-se que Cristina Moreiras trabalha na área das execuções desde 2004 e actua em todo o território nacional, sobretudo nos concelhos transmontanos e na zona de Lisboa e Cascais.

… mas venda e compra de ouro, usado ou novo, já conheceu melhores dias

Criada há cerca de seis meses, a casa de compra e venda de ouro de Manuel Pimentel, em Bragança, não é mais “do que um negócio de recurso, que se revela perigoso e arriscado”, admite o proprietário.
Apesar de algumas empresas do género terem aberto filiais na capital de distrito, o comerciante de ouro adianta que “é um risco”.
“As pessoas têm uma ideia errada deste sector, porque podemos perder todo o investimento”, assevera.
Há 25 anos a trabalhar neste ramo, Manuel Pimentel afirma que nunca enfrentou uma crise desta magnitude e aponta o dedo à especulação que leva à oscilação e instabilidade do mercado.
“Antigamente, as pessoas já tinham a tradição de comprar ouro, pois sabiam que rentabilizavam o investimento. Agora, temos que estar sempre atentos à bolsa, pois há especulação e picos nos preços”, recorda o comerciante.
Depois de deixar de vender ouro, transformado sob a sua própria marca, o responsável passou a dedicar-se à compra e venda de ouro usado, um negócio sigiloso e visto, ainda, com algum complexo e preconceito. “Estamos num meio pequeno”, lembra.
“Aparecem mais pessoas a quererem vender ouro do que a comprar e nem sempre são os que estão a passar por dificuldades económicas. Mas quase ninguém quer que os de fora saibam, porque podem pensar que quem vende está mal de finanças”, justifica o comerciante.
Estes são, apenas, dois exemplos de negócios e investimentos que têm sido, de algum modo, impulsionados pela actual situação económica do País.

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