Sortes tem saudades do comboio
Os cerca de 110 habitantes que ainda resistem na freguesia garantem que naqueles tempos tinham mais facilidade em se deslocar, tanto para a capital de distrito, como para o litoral.
“Ainda fiz muitas viagens de comboio. Estava no Porto e fazia muitas viagens pelo Tua, que tem paisagens maravilhosas”, recorda o presidente da Junta de Freguesia de Sortes, Juvêncio Carvalho.
Também Otília Pádua, de 72 anos, tem saudades dos tempos que passou na estação. Filha de um ex-funcionário da CP, realça que foi criada na estação de Sortes, onde viu partir e chegar muitos comboios. “Lembro-me da azáfama e do movimento de pessoas e de mercadorias”, acrescenta esta habitante.
Os tempos mudaram e os meios de transporte evoluíram, deixando para trás a lentidão do comboio. “Por um lado, o comboio faz falta, mas por outro, também perdeu utilizadores e não compensava manter este meio de transporte. Por isso, não acredito que volte”, salienta o autarca.
Aliás, Juvêncio Carvalho, fala da ideia de um projecto para a criação de uma ciclovia entre Bragança e Mirandela, pela antiga linha do comboio. “Participei numa Assembleia Municipal onde se falou dessa possibilidade. É uma boa iniciativa, porque o comboio já não volta”, adianta o presidente da Junta.
População de Sortes vive dos rendimentos da agricultura e dos empregos garantidos pela Sortegel
A antiga estação já foi transformada na sede da Junta de Freguesia, ao passo que as infra-estruturas de apoio viraram um centro de convívio.
No entanto, a população afirma que, desde que o comboio partiu, a aldeia deixou de ter transportes para o litoral e a regularidade do autocarro também dificulta a vida a quem depende de transportes públicos para se deslocar à capital de distrito.
“Anda uma carrinha, que faz o transporte dos estudantes, que leva as pessoas até ao cruzamento, onde passa o autocarro. Faz o trajecto duas vezes por dia. Quando os médicos nos querem marcar consultas para a tarde pedimos sempre para que seja de manhã, senão não temos transporte”, lamenta Otília Pádua.
Quem resiste na freguesia vive da agricultura e há pessoas que vão conseguindo emprego na Sortegel, a empresa de transformação de castanha instalada na aldeia. “Esta indústria é uma coisa boa, porque ainda há bastante gente a trabalhar lá”, enfatiza Juvêncio Carvalho.
No que toca a património, as capelas, as igrejas e os vestígios rupestres na serra da Nogueira são os principais pontos que podem ser visitados nas aldeias de Sortes, Viduedo e Lanção.
Para facilitar o acesso à freguesia, o autarca realça que foi feita uma estrada nova, que liga as três aldeias, onde falta, apenas, colocar alguma sinalização.