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Uma década de evolução

Uma década de evolução
  • 2 de Março de 2010, 10:57

À frente dos seus destinos há uma década, sempre numa linha liberal e republicana, o presidente da direcção, Júlio de Carvalho decidiu “passar” a pasta, pela necessidade de alguém que programe uma série de actividades com alguma intensidade, de ordem artística, cultural e social, por forma, a assinalar a data que se avizinha. “É altura de mudar, com pessoas mais novas, com outra dinâmica, perspectiva e programação, e o Clube, neste momento, precisa disso. Sobretudo, numa fase em que estamos nas vésperas de comemorar os 100 anos de existência”, explicou o responsável, que sai de “consciência tranquila”.
Na Assembleia Geral levada a cabo na semana passada, o dirigente afirmou entender que não se deve liderar uma instituição por mais de 4 anos. “É demais. Acabámos por nos sentarmos à sombra da bananeira e fazemos pouco, acomodamo-nos.” Por isso, haverá uma lista fomentada pelo próprio Júlio de Carvalho, e presidida por João Genésio, “um rapaz novo, dinâmico”, que já conseguiu incluir o futebol de Veteranos no calendário do Clube de Bragança.
Este Clube marcou um período fundamental de Bragança, pois era um parceiro estratégico de grande maioria das instituições, no sentido de fomentar o desenvolvimento da cidade.
Por exemplo, no campo da saúde, “recordo-me que desempenhou um papel importantíssimo na criação do hospital de Bragança e outros equipamentos de relevo, em planos directores, de fomento e urbanização, no campo cultural, com a promoção de muitas actividades pelas quais o Clube se tornou famoso, por uma série de eventos sociais que se praticaram aqui durante décadas, em que era o centro de atracção, por vezes, com um excesso de elitismo”, recorda o ainda presidente da direcção.
Um dos aspectos indeléveis que marcam a obra de Júlio de Carvalho nos meandros da direcção do Clube de Bragança foi, sem dúvida, a renovação de todo o espaço físico que envolve a sede da associação. “Quando assumi o cargo, o Clube estava degradado fisicamente, chovia por todo o lado e pusemos um telhado totalmente novo. O chão estava com umas alcatifas tão velhas e podres que eram um foco de infecções e nós retirámo-las. As janelas estavam a cair, a instalação eléctrica foi refeita, portas, palco, tudo destruído, pintámos o interior e o exterior. De maneira que, fizemos esse trabalho, que foi imensamente caro, e investimos aqui muito dinheiro. Graças a apoios, renovámos equipamentos interiores, como a televisão e um bar novo”, relembra o dirigente.
A nível de iniciativas e personalidades que marcaram presença na história do Clube, “desenvolvemos actividades de carácter político, nomeadamente, debates importantes, com deputados e candidatos às Câmaras.
“No lançamento de um livro, tivemos o deputado Modesto Navarro a apresentá-lo e fizemos o lançamento do livro sobre o Clube, do professor Marcolino Cepeda. Tivemos, também o Nuno da Câmara Pereira, num grande espectáculo. Durante uma semana, tivemos uma mostra de cinema transmontano, em colaboração com a Cinemateca Nacional, imensos debates, uma monja budista, e outros eventos culturais, como exposições de pintura, escultura e fotografia”, acrescenta o advogado.
Júlio de Carvalho afiança que, hoje em dia, é mais difícil promover esse tipo de iniciativas, pois há mais oferta. “A Câmara Municipal de Bragança (CMB) tem edifícios excepcionais para esse tipo de eventos, como o Teatro Municipal e o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais. O Clube terá de encontrar outras formas de sobreviver. O desporto é uma alternativa viável, bem como outras actividades que não tenham a concorrência directa de outras instituições de carácter cultural”, desvendou.

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