Selores e Lavandeira disputam Castelo de Ansiães
A cerca de seis quilómetros da sede de concelho, Carrazeda de Ansiães, a aldeia oferece, a todos os visitantes, um verdadeiro regalo para a vista. Depois da paisagem natural, que ora conta com montes e montanhas, ora com planícies e vales, Selores acolhe verdadeiras maravilhas arquitectónicas, como a antiga residência solarenga da família Morais. Situada à entrada da aldeia, a Casa de Selores, de estilo clássico – barroco e datada do século XVIII, encanta pela capela e pelo edifício residencial, mas, sobretudo, pela varanda alpendrada que integra dez colunas de capitéis jónicos.
Antiga residência da professora primária da aldeia e do pároco local, a casa está, actualmente, em avançado estado de degradação, sem que ninguém pareça fazer nada para contrariar os efeitos devastadores do passar dos anos.
O seu esplendor fica, assim, afectado pelas janelas partidas, paredes em mau estado, tectos que ameaçam ruir.
“A Casa está degradada. Falava-se que iam fazer obras, mas não se sabe nada ao certo”, sublinhou Maria Mesquita, habitante de Selores.
População lamenta degradação e ruínas de património
Mas se a Casa de Selores foi “esquecida”, o Castelo de Ansiães, que domina a paisagem, não se encontra em melhor estado.
Sendo um monumento medieval do III Milénio A.C., a ruína e degradação tomaram conta do Castelo. Além do edifício em si passar, praticamente, despercebido, a vegetação apodera-se, a cada dia que passa, aquilo que resta das moradias construídas dentro das muralhas que ameaçam, também, ruir em alguns locais.
Nem a classificação de Monumento Nacional, pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, tem “salvado” esta valiosa fortificação da degradação. Entidades e organismos competentes parecem continuar indiferentes, apesar de se falar em candidaturas a fundos comunitários para a sua requalificação, como o Jornal Nordeste noticiou na edição de 22 de Julho de 2008.
Ruínas e degradação à parte, o Castelo de Ansiães é “disputado” pelas freguesias de Selores e Lavandeira, também no mesmo concelho, sendo que os habitantes de cada localidade reclamam para si a propriedade do monumento.
“Pertence a Selores. Os antigos senhores do Castelo viviam aqui na aldeia, apesar da Santa Eufémia, que estava lá cima, estar agora na Igreja da Lavandeira”, defendeu José Araújo, habitante em Selores.