Milagres florescem na Póvoa
Este santuário, onde Nossa Senhora terá aparecido, em 1986, a uma menina da aldeia chamada Mariana, esteve de pé durante cerca de 50 anos, mas as ruínas tomaram conta daquele local.
Em 2006, Eliseu Lucas, de 66 anos, natural da Póvoa, decidiu transformar aquele espaço para que pudesse ser visitado por fiéis que acreditam no poder da água sagrada que brota de uma fonte, que foi cavada com o pé do irmão de Mariana, quando foi tomado pela sede enquanto guardava as vacas no monte.
“Esta fonte nunca secou, mesmo nos anos em que os Verões são mais quentes”, garante Eliseu Lucas.
A água que brota naquele local é considerada sagrada pela maioria das pessoas que o visita. Há quem percorra centenas de quilómetros para ir ao Picão buscar água para curar males e pedir à Nossa Senhora que conceba verdadeiros milagres.
Num livro escrito por Eliseu Lucas são relatados diversos milagres, desde mães que não tinham leite suficiente para alimentar os recém-nascido que conseguiram superar o problema com a graça da Virgem, a pessoas que usaram a água sagrada da fonte para curar feridas que os médicos tinham dificuldades em tratar.
“É um local muito visitado, principalmente pelos espanhóis, que têm muita fé na Nossa Senhora do Picão”, conta Eliseu Lucas.
Este santuário Mariano fica na rota da estrada romana, que, outrora, era a via usada pelos almocreves para fazerem a ligação entre Madrid e Lisboa. “Actualmente ainda é usada para fazer passeios. Há grupos do Norte da Europa que nos visitam e fazem caminhadas pela estrada romana”, conta o presidente da Junta de Freguesia da Póvoa, Ezequiel Raposo.
Romaria de Nossa Senhora do Naso atrai pessoas de diversos pontos do País e da vizinha Espanha
Já o santuário de Nossa Senhora do Naso é um cartão de visita das terras de Miranda. “É local que caracteriza não só a Póvoa, mas todo o concelho. No entanto, aquele espaço precisa de intervenções constantes, que só são possíveis graças à carolice de um grupo de pessoas, visto que as verbas concedidas pelo município são parcas”, desabafa o autarca.
A grande romaria que atrai gente de diversos pontos do País e da vizinha Espanha realiza-se entre 6 e 8 de Setembro. O santuário da padroeira dos mirandeses enche-se de gente, que fazem as suas orações na igreja e nas cinco capelas que se distribuem pelo recinto.
Aqui também existe o poço dos mouros, que está associado a uma lenda. Ezequiel Raposo conta que nas guerras de África um cristão ficou cativo dos Mouros, então implorou a Nossa Senhora do Naso para que o libertasse, que lhe fazia um poço. O cristão apareceu no Naso e construiu o poço.
No que toca a património ainda é possível visitar a imponente igreja matriz, a pegada dos mouros e as capelas de Nossa Senhora das Dores e do Divino Espírito Santo.
Quanto a tradições ainda se preserva a tecelagem e a cestaria. Já os tradicionais “Colóquios” poderão, agora, ser revitalizados pela associação local.
Apesar da população ter diminuído, a autarquia continua a apostar em projectos para melhorar a vida de quem resiste nas aldeias, como foi o caso da construção de dois parques de merendas, do arranjo de caminhos e aquedutos e da instalação de Internet wirless gratuita em toda a freguesia.
No que toca a grandes projectos, Ezequiel Raposo fala na importância de construir um Centro de Dia na Póvoa, tendo em conta que a população é idosa.