Pinela: Terra dos cântaros
As cantarinhas de Pinela são, por isso, as peças mais procuradas pelos milhares de visitantes, turistas e habitantes do distrito de Bragança que, nos dias 2 e 3 de Maio, passam pela Feira das Cantarinhas.
Se hoje são confeccionadas com um toque de modernidade, longe vão os tempos em que chefes de família de Pinela, no concelho de Bragança, passavam as noites rigorosas de Inverno a dar forma ao barro que apanhavam nas redondezas.
Muitas eram as famílias que viviam da venda de peças de barro. Anos de trabalho árduo e rigoroso que perduram na memória daqueles que, em criança, ajudavam a moldar as peças.
“Trazíamos o barro, que ficava a secar na eira. Depois peneirava-se e amassava-se com as mãos, para fazermos umas bolas perfeitas”, recordou Dorinda Afonso, habitante de Pinela.
Depois de moldado o barro, as peças eram cozidas em prateleiras colocadas junto das lareiras nas cozinhas tradicionais ou no forno “comunitário” da aldeia.
“As senhoras aproveitavam que estavam ao lume no Inverno e secavam os cântaros. Era um trabalho duro, feito quase sempre de joelhos”, explicou Julieta Rodrigues, artesã natural de Pinela.
Depois de executados os cântaros, os artesãos partiam, em animais de carga, rumo às principais cidades e vilas do distrito, onde vendiam os jarros e bilhas.
E, assim, nasce a Feira das Cantarinhas de Bragança, que recebe o nome das peças de barro de Pinela.
“As mulheres andavam o Inverno todo a fazer louça para venderem no 3 de Maio, pois sabiam que, nesse dia, podiam vir à feira, pois não tinham que pagar. Em troca das peças de barro, levavam tecidos, comida, sapatos e aquilo que fazia falta para casa”, informou Julieta Rodrigues.
Peças de barro de Pinela deram nome à afamada Feira das Cantarinhas
Terá sido na Idade Média que a Feira das Cantarinhas teve origem. Inicialmente realizada dentro das muralhas da cidadela, o certame representava dias de celebração para as povoações rurais e mais urbanas de todo o distrito. Além das tradicionais peças de olaria, vinham à procura de produtos agrícolas para semear e plantar os campos.
Hoje em dia, o evento, que se realiza em simultâneo com a Feira do Artesanato, ganhou um cariz mais moderno e urbano, à semelhança do que aconteceu com as peças de barro de Pinela.
Outrora bens utilitários, utilizados para carregar água e vinho, bem como comida e outros produtos, actualmente os cântaros não são mais do que objectos decorativos.