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Sanábria acolhe II Jornadas Micológicas

Sanábria acolhe II Jornadas Micológicas
  • 4 de Maio de 2010, 09:40

Jornal Nordeste (JN) Que balanço faz das I Jornadas Micológicas?
José Fernández Blanco (JFB) – As I Jornadas foram uma surpresa para todos; para quem assistiu e para todos os restaurantes participantes. Ninguém acreditava no nível gastronómico que temos na Comarca e ninguém tinha consciência de tamanha qualidade. Em uma só palavra, foram as Jornadas da Autoestima.

JN – Na zona de Puebla de Sanabria existem empresas a trabalhar na área da recolha e transformação dos cogumelos?
JFB – Existem poucas empresas. A recolha de cogumelos é feita de forma anárquica está a sofrer problemas. Até agora, este anarquismo era local, mas ultimamente temos tido grupos de pessoas que vêm de fora recolher e isso tem gerado muito problemas na zona. Está-se a destruir um recurso próprio que tem que ser valorizado por nós próprios.

JN – São 21 os restaurantes envolvidos nestas jornadas. Pensa que o sector da hotelaria de Puebla de Sanábria está preparado para apostar na confecção de pratos com cogumelos, ao longo de outras épocas do ano?
JFB – Das I Jornadas surgiu uma demonstração de qualidade que pensávamos não ter. Já existem restaurantes que durante o ano têm produtos micológicos nas suas cartas.
No Ayuntamiento de Puebla de Sanabria queremos que os participantes sejam capazes de incluir os cogumelos no seu trabalho diário e que os fins-de-semana de Março se transformem numa tradição gastronómica micológica.

JN – O Ayuntamiento de Puebla de Sanábria pretende envolver os municípios do distrito de Bragança na organização das próximas Jornadas Micológicas?
JFB – Parece-me uma boa ideia. Logo que consolidemos o nosso produto, devemos estender esta gastronomia ao espaço comum europeu que se forma com o Parque Natural de Lago de Sanabria, Puebla de Sanabria, Reserva Regional de Caza Sierra de La Culebra, Sanabria y Carballeda, bem como ao distrito de Bragança e Parque Natural de Montesinho. Portugal e Espanha .

JN – Que iniciativas lhe merecem mais destaque no programa destas II Jornadas Micológicas?
JFB – Com estas Jornadas Micológicas, englobadas dentro do Projecto Sustenta, em que participam as Câmaras Municipais de Vinhais ( Chefe de Fila ), Vimioso e Lamego, a Junta Vecinal de Tabuyo del Monte (León) e os municípios espanhóis de Villafáfila, Benavente e Puebla de Sanabria ( Construção de um Centro Micológico em Ungilde) e conta com o apoio da União Europeia e financiamento comunitário FEDER e do POCTEP ( Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal 2007-2013) pretendemos rentabilizar um recurso, tirar proveito económico da micologia, pelo que o mais importante é que todos tenhamos visão de futuro. Os cogumelos são algo que devemos cuidar, pois são um recurso que, se for mal utilizado, corre o risco de se extinguir.

JN – Na sua opinião, a recolha de cogumelos está bem regulamentada na zona de Zamora. O que pensa do projecto MYAS?
JFB – O projecto MYAS é uma desilusão. A Diputación Provincial de Zamora e o seu presidente, pretendem ordenar um recurso sem ter competências. Trata-se de terrenos de particulares e Ayuntamientos, explorados pela Comunidade Autónoma. Com Puebla de Sanabria, suas gentes e o seu Ayuntamiento nada foi falado. Deveriam, também, antes de ordenar e regular, investir para criar um cultivo positivo, investir em Centros Micológicos, etc.

JN – Que outras iniciativas estão previstas no projecto SUSTENTA?
JFB – No que se refere a Puebla de Sanabria, o primeiro projecto, numa fase inicial, serviu para restaurar a Casa del Gobernador del Castillo, enquadrando a Oficina de Turismo, um Ecomuseu e Centro de Visitantes. Numa segunda fase serviu para pôr em marcha o Centro Temático do Lobo Ibérico em Robledo. Com o projecto SUSTENTA, recuperaremos as antigas escolas de Ungilde, para aí criar um Centro Micológico.
O terceiro projecto que vamos apresentar à Europa anda à volta do tema da água. A água que nos move, a água fonte de recursos e de vida. Em suma, a água, saúde e desporto. Acreditamos que as autoridades europeias continuam a acreditar em nós.

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