Região

Morais: um misto de ruralidade e urbanismo

Morais: um misto de ruralidade e urbanismo
  • 11 de Maio de 2010, 09:16

Com cerca de 700 habitantes, a aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, distingue-se da maioria das localidades do Nordeste Transmontano, onde a desertificação toma conta de lugares, que, outrora, foram verdadeiros centros populacionais.
A par das actividades tradicionais, como a recriação da cegada à moda antiga ou da tourada, também o grupo de teatro amador e o grupo desportivo, que joga na 3ª Divisão, dão visibilidade a Morais. “ Já representamos um pouco por todo o distrito e até já fomos à televisão”, conta, orgulhosa, Dulce Valadar, de 71 anos.
O futebol também é acarinhado pela população, desde jovens a seniores, que acompanham a jornada do clube da terra. “Estive durante 30 anos entregue à roupa da equipa de futebol e continuo a ajudar. Eu gosto muito da bola. Tenho um filho em Paris que me telefona todos os domingos para saber os resultados”, salienta esta habitante de Morais.
Também o grupo de teatro amador, que conta com cerca de 18 elementos, todos da terra, é uma referência no Nordeste Transmontano. As gentes de Morais encarnam personagens com alma e vontade de representar e, até, há quem consiga decorar as falas durante os ensaios sem saber ler nem escrever. “Nunca tinha subido a um palco e agora já fui representar a muitas aldeias aqui da zona. Não sei ler, mas, mesmo assim, vou fixando as falas”, graceja Alzira Valadar, de 70 anos.
Para melhorar a qualidade de vida da população, o presidente da Junta de Freguesia de Morais, Mário Teles, realça que estão a decorrer sessões de ginástica três vezes por semana. Além disso, a autarquia também disponibiliza um espaço com Internet, payshop e farmácia, visto que as pessoas podem fazer o pedido dos medicamentos e levantá-los na sede da Junta de Freguesia.A aldeia também é visitada, uma vez por semana, por um médico, tem um posto da GNR e acolhe as crianças do 1º Ciclo que se deslocam das aldeias vizinhas, numa escola onde foi, recentemente, inaugurada uma biblioteca.
No que toca à promoção turística, a antiga casa florestal está a ser transformada num Centro Interpretativo, que vai servir de apoio à exploração do Monte de Morais, um ponto central na geologia transmontana, e, ao mesmo tempo, promover os produtos da terra. Neste local, que integra o Maciço de Morais, é possível encontrar uma vasta área de rochas metabásicas, bem como plantas endémicas de grande valor ecológico.

“Umbigo do Mundo” é um marco geológico com mais de 380 milhões de anos que pode ser visitado na freguesia de Morais

Segundo alguns geólogos, no sítio de Morais, conhecido como o “Umbigo do Mundo”, é possível observar a “cicatrização” dos antigos continentes que colidiram e deram origem a uma nova cadeia montanhosa. Trata-se de um fenómeno registado há 380 milhões de anos, que é, apenas, visível em cinco sítios em todo o mundo. Este local integra o Parque Geobiológico que está a ser implementado no concelho, no âmbito de uma candidatura efectuada pela Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros ao Programa Operacional do Norte.

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin