Polícia vs Família
De um lado, a família de um militar da GNR na reforma. Do outro, uma família de 10 elementos, de apelido Remondes. A separá-las encontra-se, apenas, um terreno baldio, onde as agressões terão sido consumadas.
No rescaldo, dois agentes da PSP tiveram que receber tratamento hospitalar, mas são os membros da família Remondes que acusam os agentes de agressões.
Uma das alegadas vítimas, Sónia Remondes, afiança que tem provas da agressão. “Chamámos a polícia para resolver um caso entre vizinhos, somos agredidas e, ainda, por cima, ficamos detidas A minha irmã mais que eu, tem o braço ao peito e as costas todas lanhadas”, declara, visivelmente revoltada.
“Recusei-me a ir com eles para a esquadra e eles subiram a rampa e deitaram-se em cima de mim. Foi aí que a minha irmã me tentou defender. Um ficou comigo e outro com ela, quando lhe rompi a camisa.
Ele diz que o deitei ao chão, mas isso é mentira. Oxalá eu tivesse a força para o fazer! Se eu fosse homem, tinha-o matado nesse dia”, admite Sónia Remondes.
Nessa altura, os sobrinhos saíram do carro para as defender. “O meu irmão, que é deficiente, também nos ia defender quando o polícia lhe disse: E tu está quietinho senão tiro já a arma e levas 2 tiros”, testemunha.
“Levaram-na de rastos ali por uma ribanceira abaixo. A única defesa dela foi morder um guarda”
A versão da polícia, no entanto, alega que a agressão partiu das duas irmãs, de 30 e 34 anos. Mas, Marco Remondes contraria: “Nós virámo-nos os 5 a eles, só, depois, de agredirem a minha mãe e a minha tia. Enquanto eram dois polícias, não tiveram hipótese! Depois, vieram mais 3 carros patrulha”.
A avó diz que, só, quando sentiu os gritos, é que se aproximou da via pública onde decorriam os desacatos. “Só ouvia : Deixai-me! Deixai-me! Já estavam, então, a vingar na minha filha, a malhá-la. Levaram-na de rastos ali por uma ribanceira abaixo. A única defesa dela foi morder um guarda”, suspira.
A sua tia ainda vai mais longe: “Separaram-nos. Eu fui numa viatura da polícia com o meu marido. A minha irmã foi sozinha noutra e deram-lhe uma grande coça a caminho da esquadra”. Os primeiros dois agentes da PSP a chegar ao local, ainda, receberam tratamento hospitalar, bem como uma das envolvidas, mas ninguém careceu de internamento. As duas mulheres foram conduzidas à esquadra, onde estiveram mais de 4 horas, não ficando detidas. No dia seguinte, foram a tribunal, entretanto e o caso será entregue ao Ministério Público para investigação. Só depois o tribunal decidirá sobre as medidas de coacção adequadas. A história dos desentendimentos, contudo, não vem de agora. A família Remondes culpa o vizinho, um militar reformado, do envenenamento de dois dos seus cães, há anos atrás, e acusa a sua filha de tentar atropelar dois garotos, no próprio dia das agressões.
“O vizinho acusou-me a mim e ao meu primo, várias vezes, de roubar um plasma e um computador de sua casa e a minha mãe foi lá tirar justificações”, explica Marco Remondes.
Segundo o rapaz, foi a própria mãe a chamar as autoridades. “A polícia, em vez de tentar resolver as coisas a bem, começou, logo, a agredir a minha mãe e a minha tia”, garante.