Cereja é a imagem de marca de Agrobom
Depois de percorridos alguns quilómetros por estradas sinuosas envolvidas numa paisagem tipicamente rural, eis que se chega a um dos principais centros de produção de cereja do município alfandeguense.
Logo pela manhã, um grupo de mulheres palmilha um pomar para apanhar as inúmeras cerejas que carregam os muitos pés de árvores de dimensão considerável. “Não é um trabalho difícil”, garante Ermelinda Veríssimo, uma das mulheres à jeira.
Os ramos são puxados em movimentos, por vezes, bruscos para se colher o fruto e, nas árvores de maior porte, é mesmo necessário trepar ao pé para chegar às cerejas que se encontram nos ramos cimeiros, onde o fruto apanha mais sol.
A Casa Agrícola de Vale Quadrado é o maior produtor de cereja na freguesia de Agrobom. “Este ano, a produção é menor, porque choveu muito na altura em que as árvores estavam com flor e o fruto não desenvolveu. Mas em anos de boa produção, chegamos a andar 15 dias na apanha”, realça Luís Miguel Ramalho, funcionário da Casa Agrícola Vale Quadrado.
A par desta quinta, com cerca de 15 hectares em plena produção, em Agrobom toda a gente produz cereja. “Os particulares também colhem este fruto, mas a maioria é para consumo próprio”, conta o presidente da Junta de Freguesia de Agrobom, Eduardo Almendra.
Aliás, há pessoas do litoral que, por esta altura, se deslocam à freguesia para comprar a tradicional cereja, famosa pela sua qualidade de excelência.
A comercialização deste fruto também fica assegurada pelos compradores que se deslocam à aldeia, mas também há quem se desloque aos grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto, onde os preços são mais elevados. “Este ano, ainda não vendemos nenhuma, mas, em anos anteriores, fora da região ronda os 4 e 5 euros. Se for vendida aos intermediários o preço ronda os 2 e 2,5 euros, dependendo dos anos”, revela Luís Ramalho.
Azeitona e amêndoa aliam-se à cereja e assumem um peso relevante na economia local
As doenças associadas a esta árvore, associadas à curta durabilidade das cerejeiras, são os principais obstáculos à produção. “O tempo de vida desta espécie em plena produção é de cerca de 20 anos. No ano passado, já repusemos cerca de 500 árvores e temos que continuar este processo para aumentar a produção, porque estão a morrer muitas cerejeiras”, salienta o funcionário da Casa Agrícola.
O presidente da Junta de Freguesia lembra que grande parte da produção de cereja é feita em modo de produção biológica. “Aqui não temos problemas com o bicho, são mais as doenças das árvores, mas não usamos químicos”, realça o autarca.
Com cerca de 166 pessoas, a freguesia de Agrobom, que integra a anexa de Felgueiras, é tipicamente rural, pelo que a agricultura é o principal motor da economia local. A par da cereja, também o olival e o amendoal ganham expressão, tal como a floresta, que está associada às montarias que têm rendido perto de duas dezenas de javalis.
Quem visita a aldeia pode, ainda, visitar a igreja matriz, fontes e capelas espalhadas pela freguesia, com destaque para a capela de Santa Marinha, que, antigamente, foi motivo de disputa entre o povo de Agrobom e Sambade. Reza a história, que a Santa fez o milagre de mudar o curso da ribeira, para que a capela ficasse do lado de Agrobom, terminando assim a disputa entre as duas localidades.