Um exemplo a seguir
Oriundos de uma panóplia de localidades tão próximas como Chaves, Bragança, Alijó, e outras tão distantes como Almeirim, Lisboa, Sintra, e até mesmo do país vizinho, os motards elogiavam, de forma constante, “a terra da alheira, do azeite e da gente verdadeira”, os responsáveis pela organização, o saber receber e o programa da própria concentração.
O mestre das acrobacias marcou estatuto com a sua presença. Ricardo aka Arrepiado, seduziu crentes e não crentes no freestyle dos seus quatro veículos. Apesar de, na tarde de sábado, a sua performance ter sido encurtada devido ao dilúvio que se abateu sobre a cidade. Mas S. Pedro foi misericordioso e com a sua graça, a chuva providenciou calor, sobretudo, humano, e o espectáculo pôde continuar a seguir ao jantar, reunindo ao seu redor milhares de pessoas.
“O meu desempenho foi magnífico, tendo em conta que tivemos uma tarde de chuva e, ainda, tínhamos a pista molhada, mas dei o meu melhor e andei muito perto dos limites”, declarou o destemido piloto das Caldas da Rainha, que introduziu na sua actuação um salto de vários metros por entre a multidão.
Na sua segunda vez em Mirandela, a última há 3 anos atrás, Ricardo exprime: “Esta cidade sempre teve uma concentração de topo, com um grande público e é, sem dúvida, uma das melhores a nível nacional”.
Seguiu-se o passeio nocturno, num clima de festa brava que semeou a loucura entre os residentes, e poucos houve que se entregaram à pobreza de espírito de permanecerem em casa. Foi um autêntico luxo desfilar no meio da população, enquanto esta vibrava tanto como o barulho de mil motores.
Chuva intensa não causou
qualquer alteração
no programa da Capital Motard
do Nordeste
O colorido extra flamejante veio com o fogo de artifício, que iluminou os céus e se espelhou nos rios por diversas vezes ao longo do passeio noctívago.
Já no recinto, momentos antes do concerto com a Banda Red, Tó Velho, antigo presidente do Motoclube de S. Mamede de Infesta, foi homenageado em palco. “Para além de ser um conterrâneo, é uma pessoa que está connosco desde a nossa primeira concentração e já lá vão 14 anos”, explicou o presidente do Motoclube de Mirandela, Rui Lima Alves, o mentor do sucesso desta XIV edição. Apesar de um crescimento inegável, cerca de 800 inscritos, o grande obreiro garante que irá preferir sempre a qualidade em detrimento da quantidade. Peste & Sida foi o grupo principal do cartaz de sábado, que só terminou, por volta das 6 horas, com o show erótico a “queimar pneu” da assistência.
“Apesar da prenda de S. Pedro, uma carga de água até dizer chega, o tempo compôs-se e está uma noite agradabilíssima. Aliás, notou-se pelo número de motas que integraram o passeio, perto de mil”, frisou o responsável.
Uma das novidades de 2010 ocorreu com a garraiada na tarde de sábado. “A pedido de alguns colegas de outros Motoclubes, decidimos fazer uma garraiada no recinto. Eu estava um bocado renitente, pois é algo que me ultrapassa. Mas não estou nada arrependido, pois a aceitação foi inacreditável”, adiantou Rui Lima Alves, garantindo que será um acontecimento para repetir, “apesar de algumas mazelas à mistura”.