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Jovens começam a beber cada vez mais cedo

  • 2 de Julho de 2010, 18:02

Era cedo demais, mas foi a forma que encontrou para mostrar que era valente no mundo dos adultos, onde entrou ainda em criança. “Comecei a trabalhar no meio dos homens e então comecei a beber como eles. Quando me apercebi deixei de ser eu e passei a ser dominado pelo álcool”, recorda o ex-alcoólico, que, actualmente, colabora com a Equipa de Intervenção Directa da Associação Reaprender a Viver, para ajudar pessoas que sofrem da mesma dependência.
Também “Francisco” se deixou dominar pelo álcool. O vinho do Porto era a sua bebida de eleição e acabou por transformar a sua vida num autêntico inferno. “Perdi tudo que tinha”, desabafa.
“Francisco” ainda se encontra em recuperação, mas depois de perceber os malefícios desta droga decidiu partilhar a sua experiência com outras pes­soas que ainda não perceberam que têm uma doença. “É difícil aceitar que se é dependente do álcool. Eu pensava que podia deixar quando queria, mas estava enganado. Só depois do tratamento foi possível desintoxicar-me”, conta.
É com mágoa e tristeza que este ex-alcoólico fala da sua experiência, que considera “péssima”. “A família estou a recuperá-la aos poucos. A minha mulher tem-me ajudado muito. Peço diariamente a Deus, em quem acredito, para não voltar a cair no álcool”, acrescenta “Francisco”.

Testemunhos anónimos alertam para a possibilidade do álcool ter o poder de roubar a própria vida a qualquer dependente

Dos tempos em que o álcool o le­vou à “irresponsabilidade total”, “Fran­cisco” guarda memórias dos inúmeros acidentes e da tentativa de suicídio, que lhe poderia ter custado a vida.
Já “António”, depois de ter sido ajudado por um grupo de Alcoólicos Anónimos, em Lisboa, onde residia na altura, procura, agora, ajudar outras pessoas que tenham a coragem de reconhecer que são alcoólicas. Do contacto com o mundo da noite, “António” constata que, actualmente, os jovens bebem demasiado. “Começam cada vez mais cedo e com bebidas fortes, que vão desde o absinto, à vodka ou shots”, acrescenta. Estes testemunhos foram deixados, na passada quinta-feira, no Fórum de Inclusão Social, organizado pela Associação Reaprender a Viver, em colaboração com a Rede Anti-Pobreza – REAPN.

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